[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  O presidente enganado

Jornal Diário Popular , segunda-feira 10 de julho de 2000


Organizações internacionais, como a ONU, estão divulgando estatísticas e estudos calamitosos sobre os problemas do povo brasileiro: o empobrecimento de milhões de famílias de trabalhadores, o abandono de milhões de crianças e jovens, o aumento da violência e dos assassinatos e chacinas que atingem principalmente as famílias que moram nos bairros distantes, o avanço da fome (6% das crianças de até cinco anos abaixo do peso normal...).

Os pobres cada vez mais pobres, os ricos cada vez mais ricos. Diante desse quadro assustador, o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, pela milésima vez repete a desculpa de que ‘‘as injustiças e a miséria no Brasil têm séculos de existência, é impossível corrigi-las em cinco anos’’. O presidente da República está fazendo um mero truque com as palavras, querendo dar a impressão de que seu raciocínio é lógico. Não é. A cada dia que passa, vai ficando mais claro que seu governo jogou no lixo todos os avanços que o povo brasileiro tinha conseguido nas últimas décadas. Que o País regrediu, virou uma terra arrasada onde o avanço da miséria e a conivência das elites com as fraudes estão, inclusive, provocando uma onda de violência sem igual no mundo.

É fácil provar que o presidente foge à realidade:

Campeão da pobreza — O Brasil tem uma das dez maiores economias do mundo. No entanto, nos estudos que a ONU divulgou, ele é um dos campeões da pobreza, da subnutrição, das doenças (11,5% da população brasileira ainda morre antes dos 41 anos). No campeonato da ‘‘desgraceira do povo’’, o Brasil está em um dos primeiros lugares, vale dizer, há dezenas de países muitíssimos mais pobres que o Brasil, a ‘‘potência’’, onde o povo vive em condições muito melhores. Veja bem: são países pobres ou paupérrimos da África, da Ásia, da América Latina, da América Central, que teriam muito menos condições de oferecer emprego, saúde e educação para suas populações. Um exemplo, apenas: no vizinho Paraguai, um país pobre, o analfabetismo é de apenas 7%, menos da metade do índice brasileiro, de 15,5%. O que diz o presidente? Como ele explica que países mil vezes mais pobres estejam reduzindo seus problemas? A resposta é simples: o governo reduziu o Imposto de Renda das empresas e dos ricos, aumentou impostos para os trabalhadores, congelou os salários dos funcionários, achatou aposentadorias e o salário mínimo, deixou de comprar as colheitas dos agricultores, só dá créditos para os grandes grupos empresariais, doou empresas estatais, quebrou empresas nacionais com o escancaramento às importações, desempregou 2,2 milhões de trabalhadores na indústria, elevou as taxas de desemprego para perto de 20% em todas as capitais do País. Um governo de terra arrasada.

O presidente FHC está enganado em sua explicação. Ou finge que está. PS: a análise das manobras para privatizar a Caixa Econômica Federal fica para amanhã.



Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil