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  O PDS e o PMDB diante da crise

Jornal Diário da Manhã , sábado 15 de outubro de 1983


Nos últimos meses, grandes grupos empresariais brasileiros, proprietários de várias empresas em grande número de áreas de atuação, têm pedido “socorro” ao governo, alegando que esta ou aquela de suas empresas foi atingida pela “crise” e precisa da ajuda oficial para superá-la. E conseguem: ora a ajuda vem através de injeções de dinheiro de instituições oficiais, como o BNDES, ora através de mecanismos de crédito criados pelo Conselho Monetário Nacional. Em ambos os casos, as operações de “saneamento financeiro” são feitas a juros altamente subsidiados, registrando-se, recentemente, casos em que o custo dos empréstimos foi fixado em apenas 20% da correção monetária, isto é, 35% ao ano, para uma correção monetária de 176% ao ano.

Trata-se, como visto, de autêntica “doação” de dinheiro às empresas ditas “doentes”, embora integrantes de complexos empresariais que, em seus outros negócios, continuam a faturar bilhões... Essa orientação, nem é preciso dizer, representa uma aberração, um reforço às distorções do “capitalismo brasileiro”, já que toda a coletividade, direta ou indiretamente, acaba pagando por ela – num momento em que se fala em reduzir o déficit público, em conter a expansão do crédito, em eliminar subsídios. A exigência de mudanças nessa área, por isso mesmo, deveria ser incluída nas propostas que o “Grupo dos Onze” do PDS apresentou em substituição ao decreto 2.045, ou no programa que o PMDB promete elaborar com o mesmo objetivo. Os formuladores de política econômica no Brasil precisam ser relembrados de que, dentro do capitalismo, também há lugar para quebras – ou para a venda de empresas e bens. Quem acompanhou o noticiário sobre a violenta recessão norte-americana no transcorrer do ano passado, terá verificado que, dentro do capitalismo norte-americano, os maiores grupos empresariais do mundo – até no setor siderúrgico ou no setor automobilístico – foram forçados a vender fábricas, direitos de exploração de petróleo, minas, participação em empresas, etc. – para “fazer dinheiro” e sobreviverem, à espera no novo ciclo de recuperação econômica. Isso é capitalismo, o capitalismo em que os empresários brasileiros tanto falam. Aqui, enquanto falta dinheiro para o auxílio-desemprego ou para o Nordeste, trilhões de cruzeiros (sem nenhum exagero) são canalizados para “salvar” empresas que integram o patrimônio de grupos extremamente prósperos, e que se recusam a vender parte de seus bens pra socorrer a “doente”. Uma recusa compreensível: se a Nação paga, se o povo paga, por que não aproveitar?

Detalhe: freqüentemente, as empresas entram em dificuldades por terem ampliado desmedidamente ou distorcido sua atuação. Em outras palavras: endividam-se deliberadamente, praticam preços baixos, para quebrar correntes – seguras de que, quando o vermelho aparecer em seus balanços, não faltará o tradicional “socorro”.



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