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  Vem aí menos desemprego

Jornal Diário Popular , domingo 18 de junho de 2000


Em dez anos, o número de trabalhadores da indústria brasileira caiu de 6,6 para 4,5 milhões, isto é, foram eliminados nada menos de 2,l milhões de empregos no setor. Ou nada menos de um terço dos postos de trabalho. Na agricultura, o quadro não foi diferente. Qualquer criança sabe hoje o motivo dessa catástrofe: o governo FHC escancarou o Brasil para as importações, destruindo empresas e empregos no Brasil. E o governo FHC escancarou o Brasil para as multinacionais, emprestando-lhes até dinheiro do BNDES, e elas compraram empresas brasileiras e passaram a importar matérias-primas, peças, componentes de suas matrizes (ou de acordo com a ordem delas), assassinando a produção e os empregos aqui dentro. Ou essas multinacionais, como aconteceu com os remédios, simplesmente suspenderam a produção no Brasil e passaram também a comprar lá fora.

O escancaramento do mercado brasileiro, assim como as privatizações, foi implantado, como você sabe, para atender aos interesses dos países ricos que, ajudados pelo FMI e o Banco Mundial, passaram a dominar, com suas empresas e seus bancos, a economia de países de governos ‘‘amigos’’, como o Brasil. Essa estratégia, combinada entre os países ricos, através do acordo chamado ‘‘consenso de Washington’’, dominou a economia mundial nos últimos anos, por causa de um círculo vicioso: os países que abriram seus mercados, como o Brasil, acabaram ‘‘quebrando’’, ficaram sem dólares, e precisaram de apoio do FMI/Banco Mundial/países ricos — que só concedem empréstimos se o país mantiver a mesma política chamada neoliberal (isto é, com ‘‘liberdade’’ para as empresas agirem, sem controles e intervenções do governo. No caso das importações, por exemplo, os governos não devem tentar dificultar a entrada de mercadorias estrangeiras, cobrando impostos sobre elas, por exemplo, para proteger a produção e os empregos nacionais). Agora, houve uma ‘‘virada’’ no cenário internacional, tão importante, que analistas vêm dizendo que ‘‘o neoliberalismo acabou’’ — mas que, apesar dessa importância, não ganhou ainda o destaque merecido nos meios de comunicação. O que aconteceu? Reunidos há duas semanas na capital alemã, os presidentes dos sete países mais ricos do mundo, integrantes do grupo chamado G-7, tomaram decisões que representam o abandono das diretrizes neoliberais. O acordo, já chamado de ‘‘consenso de Berlim’’, prevê que os governos devem dar prioridade, também, aos problemas sociais, entre os quais predomina obviamente a necessidade de criação de empregos.

Essa ‘‘virada histórica’’ merecerá análise mais detalhada, no próximo domingo. Por enquanto, basta dizer que, com ela, o Brasil poderá vir a fazer mudanças em sua política econômica, daqui para a frente, dando prioridade inclusive à manutenção e criação de empregos. O desemprego vai diminuir — se o presidente FHC tiver interesse nisso.



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