Jornal Diário Popular , quinta-feira 20 de julho de 2000
Transformado em ministro do Desenvolvimento, o banqueiro Alcides Tápias voltou a fazer um sermão humilhante, para os empresários brasileiros. Imagine só você que os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos estão protestando porque, a todo momento, o governo Fernando Henrique Cardoso perdoa os impostos e dá outras vantagens para quem comprar máquinas importadas. Agora, outra vez, o governo FHC anuncia prêmios para importar máquinas, sobretudo para a fabricação de papel de celulose (quem sabe um dia o Congresso investigue as razões da preferência que o governo tem por determinados setores, privilegiados com empréstimos do BNDES e incentivos para comprar lá fora).
Os fabricantes nacionais protestam e o ex-banqueiro Alcides Tápias despeja aquele palavrório que os ministros e presidentes do governo FHC usam há cinco anos: ‘‘Vocês querem proteção, são egoístas, esse tempo já passou, agora é a modernidade chegando. Vocês vão ter que concorrer com fabricantes de outros países, em qualidade e preços, o País precisa avançar etc’’.
Elegantemente, os ministros repetem o presidente da República, imitando seus xingamentos, chamando os empresários brasileiros, indiretamente, de ‘‘vagabundos’’, ‘‘aproveitadores’’, ‘‘arcaicos, antigos’’. Foi com esse discurso que o presidente Fernando Henrique Cardoso e sua equipe de Malans/Fragas & Cia. desmoralizaram o empresariado nacional, apresentando-o como um inimigo do consumidor e do País. Ganharam apoio para favorecer as importações, destruir as empresas nacionais, escancarar o mercado ao domínio das multinacionais — e desempregar 2,1 milhões de trabalhadores da indústria.
Mas o presidente da República e seus ministros escondem sempre, da opinião pública, alguns dados essenciais: antes de mais nada, os fabricantes de produtos vindos lá de fora têm sempre um grande apoio dos seus governos para vender no mercado mundial, a outros países, como o Brasil. Nesses países, o governo tem bancos (estatais, sim) só para fornecer empréstimos aos clientes de outros países, que compram os seus produtos. São empréstimos que podem ser pagos em 5, 8, 10 anos — e a juros de apenas 6% a 8% ao ano. No Brasil, não existe nada disso.
Além de não criarem mecanismos de apoio aos fabricantes brasileiros, o governo cria outra vantagem para os concorrentes estrangeiros: perdoa impostos sobre produtos importados. Lá fora, o governo não xinga os empresários: cria políticas de apoio, protege suas empresas, porque sabe que as exportações trazem dólares, criam empregos, combatem a recessão, mantêm a economia em crescimento.
Aqui, tudo que o governo FHC sabe fazer é, arrogantemente, perseguir o empresariado nacional. Por isso as exportações não crescem, as importações disparam, o desemprego avança, a crise persiste. Ah, sim, os fabricantes nacionais de máquinas para a indústria de papel estão com 60%de suas fábricas paradas. Parabéns, ministro Tápias, parabéns doutor Malan, parabéns presidente.