Jornal Diário Popular , segunda-feira 12 de junho de 2000
Esqueça todo aquele otimismo para o ano 2000 insistentemente repetido pelo presidente da República e sua equipe de gênios. Esqueça, que a realidade é bem outra. O governo está revendo suas previsões. A economia não vai crescer a 4%, o desemprego conseqüentemente vai persistir, as exportações vão ficar abaixo do previsto, haverá, portanto, falta de dólares e assim por diante. Coube ao presidente do Banco Central, Armínio Fraga, anunciar todas essas chamadas ‘‘más novas’’ que, no caso, só são ‘‘novas’’ para o governo FHC e seus bajuladores, formadores de opinião muito bem pagos que perderam a capacidade de raciocínio ou, outras coisas, enganosos líderes empresariais pendurados no BNDEs ou em contratos com o governo e os engomadinhos ganhadores de milhões do mercado financeiro.
O povo, classe média e trabalhadores, empresários e agricultores, há muito tempo está sabendo que a tal recuperação da economia anunciada para o ano passado, depois adiada para este ano, é uma balela, com vendas, produção e emprego ladeira abaixo. O presidente da República e sua equipe vão parar pra pensar, analisar as causas da crise persistente, assumir a responsabilidade por erros gigantescos e realizar as mudanças necessárias na política econômica? Aí é que está a tragédia brasileira: a resposta é ‘‘não’’. Todas as vezes em que suas previsões ‘‘otimistas’’ furam — e elas vêm furando há quase seis anos, destruindo o País, o governo FHC arruma desculpas para os problemas e diz que eles são passageiros. Não foi diferente desta vez.
O senhor Armínio Fraga resolveu engabelar os 160 milhões de trouxas que habitam este País e não deixou por menos: prometeu logo de cara um crescimento de lindíssimos 6,5% para os próximos anos. E lá veio com as desculpas esfarrapadas de sempre. Por exemplo: o valor das exportações não cresceu, diz ele, por três causas ‘‘lá de fora’’: a alta dos juros nos EUA, os baixos preços dos produtos agrícolas que o Brasil exporta e, finalmente, a desvalorização do euro, a moeda européia, que barateou as mercadorias européias, dificultando a concorrência de produtos brasileiros no mercado mundial. Ou é muita cegueira ou é muita desonestidade. As exportações não crescem e as importações não caem porque o governo FHC/FMI desnacionalizou a economia. A prova de que o problema é mesmo esse? Basta repetir um exemplo: a Coréia, onde as grandes empresas são de grupos coreanos, aumentou suas exportações em quase 40% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o ano passado. Com alta dos juros nos EUA, com queda do euro, com todas as desculpas inventadas pelo governo FHC. A Coréia é um país. O Brasil virou uma colônia nas mãos das multinacionais e países ricos. Está no abismo. E não sairá dele enquanto a política do governo FHC não mudar.