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Jornal Diário da Manhã , domingo 20 de novembro de 1983


FMI E RECESSÃO – o Brasil aceitou expandir os meios de pagamento (emissão de papel-moeda mais depósitos à vista nos bancos) em apenas 50% em 84, em seu novo acordo com o Fundo Monetário Internacional. Esse dado vai provocar uma enxurrada de análises “catastrofistas”, afirmando que vem aí mais recessão, pois a contenção da emissão de moeda resultará em mais aperto no crédito – e juros mais altos. Tudo teorias. Há muito tempo que os meios de pagamento já não “medem” a quantidade de crédito, ou mesmo de moeda, dentro da economia brasileira. Com a expansão do “open”, surgiram outras “formas” de “moeda”: as Letras do Tesouro, as Obrigações Reajustáveis, as letras de câmbio, os certificados de depósitos bancários, que passaram a poder ser vendidos todos os dias, a qualquer momento. Por isso, esses títulos são também “moeda”, ou “quase-moeda”, como dizem os técnicos, porque podem ser transformados em dinheiro a qualquer momento. Em resumo: a nova meta assumida com o FMI não agravará a recessão. Nem serve de justificativa para elevar os juros, a pretexto de “crédito escasso”.

PROVA PROVADA – nos últimos doze meses, isto é, de novembro de 1982 a outubro de 1983, os meios de pagamento cresceram apenas 94,7%. Os empréstimos dos bancos privados cresceram 140%, no mesmo período.

META FROUXA – as metas estabelecidas pelo Fundo Monetário, em seu novo acordo com o Brasil, podem ser consideradas “frouxas”. A inflação em 1984, por exemplo, poderá chegar a até 100%, contra 55% a 60% previstos anteriormente. Esse novo nível, de 100% é uma verdadeira “colher de chá”, pois, com as novas safras agrícolas, os preços dos alimentos reforçarão sua tendência de queda, puxando as taxas de inflação para baixo. Moral da história: o FMI e demais credores do Brasil quiseram, mesmo, dar uma folga ao governo brasileiro, para evitar os “estouros” de metas ocorridos este ano, e que, se fosse repetidos em 1984, exigiriam um “vídeo tape” da novela da renegociação dos acordos, registrado em 83. Ótimo para o Brasil? Não. Com os ministros de que o País dispõe, está claro que as metas “frouxas” podem levá-los a afrouxar, também, à política econômica. E os mesmos problemas podem voltar à cena. A menos que os ministros não sejam os mesmos...



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