[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto A enxurrada de dólares tem sido especulativa, com o dinheiro vindo do exterior para lucrar no cassino dos juros
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  Taxas de juros deviam baixar imediatamente

Jornal Folha de S.Paulo , quinta-feira 1º de outubro de 1981


As taxas de juros podem - e deviam - entrar em queda no País, imediatamente. Quem demonstrou isso, de forma indireta, foi o próprio governo, através do Ministério da Indústria e do Comércio, ao divulgar estudo comprovando que o desconto de duplicatas, nos bancos, vinha custando até 260% ao ano para as empresas. Com seus cálculos, o MIC deixa em muito má situação, diante da opinião pública do País, o Ministério do Planejamento, o Ministério da Fazenda e o Banco Central, isto é, o próprio governo.

Eles confirmaram a análise publicada há alguns dias, por este jornal, mostrando que é absolutamente falso o argumento de que as taxas de juros tinham que subir no mercado interno - como subiram nas últimas semanas para forçar as empresas a tomar empréstimos em dólares, que precisam entrar no País para ajudá-lo a pagar seus compromissos internacionais.

O fato – apontava-se então, e o MIC agora mostra que tínhamos razão - é que, em vários tipos de empréstimos às empresas, as taxas de juros já estavam mais altas que o custo (140% ao ano) dos empréstimos externos. Não havia, assim, nenhum motivo para que as empresas não se interessassem pelo dinheiro do Exterior, que os bancos afirmavam estar "encalhado" no Banco Central, por falta de tomadores.

Ninguém de bom senso vai acreditar, a esta altura, que as empresas prefiram obter crédito a 200 ou 260% ao ano, batendo às portas dos bancos a cada 60 dias, para o desconto de duplicatas, em lugar de tomar empréstimos para capital de giro, pelo prazo de seis meses, como é a praxe na concessão de empréstimos externos (pela chamada 63).

É intrigante que, em lugar de estimularem a elevação das taxas de juros - num período em que a inflação vinha caindo - as autoridades não tenham pensado em criar um mecanismo para que os empréstimos externos fossem destinados às pequenas e médias empresas, por exemplo. Não se alegue, ainda uma vez, que os pequenos e médios empresários têm medo desse dinheiro externo; as entidades de classe, que têm criticado tantas vezes o custo do dinheiro, poderiam entrar em cena, orientando a contratação dos empréstimos e talvez até assumindo a incumbência de abrir inscrições e organizar "listas" de interessados, para encaminhamento aos bancos.

Agora que o próprio governo, através do MIC, desfaz o mito de que os empréstimos externos são mais caros, surgiu a oportunidade para usar os dólares que se diz estarem encalhados. E para reduzir imediatamente as taxas de juros, injustificadamente em alta nas últimas semanas.



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