Jornal Diário da Manhã , sábado 27 de agosto de 1983
O EXEMPLO DO MÉXICO – da dívida mexicana de US$ 80 bilhões, nada menos de US$ 20 bilhões eram de empréstimos a curto prazo, que venciam em 82, 83 e 84. Após meses de negociações, o México está finalmente assinando um acordo, com os banqueiros internacionais, para refinanciamento desses US$ 20 bilhões. Agora, eles serão pagos em 8 anos. Melhor ainda: haverá quatro anos de carência, isto é, até o segundo semestre de 1987, o México não precisará pagar prestações relativas a esses US$ 20 bilhões. Até agora, esse prazo de carência, nos empréstimos internacionais, era geralmente de três anos – o que mostra que os banqueiros estão abrandando suas exigências, em relação aos devedores. Sobrarão dólares para reativar a economia e combater o desemprego. O México fez um ano de sacrifícios, mas reconquistou a credibilidade. O Brasil recusa a austeridade. Enfrenta da mesma forma a recessão e o desemprego, enquanto se continua a falar em “moratória unilateral”.
MANIQUEÍSMO DE ESQUERDA – dizem os “economistas de oposição” que o controle das importações, exigido pelos programas de austeridade a la FMI, provoca forçosamente a recessão. Maniqueísmo puro. Com controle seletivo das importações, pode-se cortar o supérfluo e manter a compra de bens essenciais ao crescimento econômico. Mais uma prova dessa verdade: a França adotou, há meses, uma política de violento “aperto de cintos”. As importações caíram 5% no segundo trimestre. O PIB cresceu 0,2%.
MANIQUEÍSMO DE DIREITA – confirma-se que o ministro Delfim Netto planeja demissões maciças nas empresas estatais, para “conter os seus déficits”. O que provoca os déficits das estatais é o seu endividamento. E o endividamento das estatais foi provocado pela proibição de que elas emitam ações, aumentem o seu capital – sendo forçadas a tomar empréstimos para realizar seus investimentos. Quando é que os “manifestos” dos “empresários progressistas” e economistas do PMDB vão se lembrar disso, e exigir mudanças numa política absurda? Ela está destruindo as estatais, encarecendo seus produtos e serviços, provocando inflação, aumentando o seu déficit. Só quando deixarem de achar que “o FMI é o culpado de tudo”?
PARA ESTOCAR – o preço da arroba do boi em pé já chega aos Cr$ 13.000,00, no interior de São Paulo, contra Cr$ 10.000,00 há poucas semanas. Novas altas, em breve, para o preço da carne.