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  Carestia, ameaça à vista

Jornal Diário Popular , sexta-feira 10 de setembro de 1999


Em meados de junho, o preço do feijão desabava, no interior. Os pequenos produtores mal conseguiam vender seu produto por R$ 20,00 a saca, ou pouco mais de 35 centavos o quilo. Nesta semana, a saca de feijão já custa R$ 40,00 no atacado paulista, com uma diferença de 100% sobre o nível enfrentado pelo agricultor há três meses. Motivo: a seca, que destruiu as colheitas de várias regiões. O problema atinge também outros alimentos, com perdas para as chamadas "safras de inverno", ou atraso no plantio da nova safra, sobretudo nos Estados do Sul. Esse quadro traz a ameaça de carestia para a população — e outras conseqüências desastrosas para o País, exigindo um plano de emergência para a agricultura, a ser anunciado com rapidez já que esta é a época ideal para o plantio no Centro-Sul. Os problemas ocorridos com o feijão servem perfeitamente para demonstrar que o governo FHC precisa ressuscitar a política agrícola que existia no Brasil até 1994, quando a equipe econômica de Brasília começou a massacrar o produtor nacional.

Como assim? Conforme já foi analisado nesta coluna, até aquele ano o governo comprava as colheitas dos produtores na época em que havia grande produção, evitando a queda excessiva de preços. Assim, fazia estoques, que depois vendia para segurar os preços e beneficiar o consumidor, nas épocas em que a produção caísse, inclusive por causa de problemas de seca, inundações etc. Tudo isso foi abandonado pelo governo FHC, e os produtores ficaram totalmente indefesos, nas mãos dos atravessadores. Resultado: como no caso do feijão, o produtor tem prejuízos, e o atravessador tem grandes lucros às custas do consumidor, quando surgem problemas. Para animar o agricultor, o governo precisa assumir publicamente, desde já, o compromisso de comprar as próximas safras. Além disso, é essencial garantir crédito para o plantio às famílias de pequenos produtores, pois — como o caso do feijão também serve para mostrar — eles estão empobrecidos, sem recursos, devido aos baixos preços recebidos na época da colheita, este ano. Finalmente, não seria nenhum delírio pedir que o presidente da República honre seu compromisso, assumido há mais de dois anos, de criar um seguro para proteger os produtores contra a destruição de colheitas por culpa de São Pedro.

Ah, sim: garantir renda para a agricultura significa garantir consumo e emprego também na indústria. Isso é política de retomada do crescimento. O resto é blá-blá-blá.



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