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  Como a Caixa gastou Cr$ 75 bi

Jornal Folha de S.Paulo , domingo 10 de abril de 1983


Como a Caixa Econômica Federal pagou um preço 80% superior ao valor internacional do ouro, empregando Cr$ 170 bilhões nessas operações e gastando Cr$ 75 bilhões acima do custo “justo”? Eis as contas que levam a essas cifras:

As compras de 82 – durante o ano todo, a Caixa comprou 30 toneladas de ouro, segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral. No primeiro trimestre, suas compras tinham sido de apenas 2 toneladas. A Caixa não forneceu dados para os demais meses do ano. No entanto, mesmo que dobrasse suas compras para 4 toneladas por trimestre nos dois trimestres seguintes, ela teria comprado 10 toneladas até setembro, diretamente de garimpos, ou a “preços normais”. As restantes 20 toneladas, assim, teriam sido compradas de empresas e pessoas, a partir de outubro do ano passado.

As compras de 83 – segundo o ministro Ernane Galvêas, em janeiro e fevereiro foram compradas 5 toneladas a cada mês, ou 10 toneladas no bimestre. Mesmo admitindo-se 2 compras de 3 toneladas diretamente dos garimpos, restariam 7 toneladas compradas “no mercado”.

Os gastos de 1982 – no período de outubro a dezembro, a cotação média do grama do ouro no Brasil foi de Cr$ 5.734 – exatamente 80,1% acima da cotação média de Nova York que, em cruzeiros (pela cotação oficial do dólar), equivaleria a Cr$ 3.183. Em cada grama, portanto, a Caixa pagou Cr$ 2.551 a mais. Multiplicando-se a quantidade comprada, de 20.000 quilos, ou 20 toneladas, pelo preço do grama, de Cr$ 5.734, tem-se Cr$ 114,7 bilhões pagos aos vendedores. Multiplicando-se os mesmos 20.000 quilos pelo preço de mercado de Nova York, o gasto seria de Cr$ 63,7 bilhões, ou seja, 80% menos. Subtraindo-se esse custo de mercado do custo “pago”, tem-se a diferença: Cr$ 51,1 bilhões.

Os gastos de 1983 – no período de janeiro a final de fevereiro, a cotação média do grama de ouro no Brasil foi de Cr$ 8.088 – exatamente 82% acima da cotação média de Nova York que, em cruzeiros (pela cotação oficial do dólar) equivaleria a Cr$ 4.451. Em cada grama, portanto, o governo pagou Cr$ 3.637 a mais, em média, nesse período.

Multiplicando-se a quantidade comprada, de 7.000 quilos, pelo preço do grama, de Cr$ 8.088, tem-se a quantia de Cr$ 56,6 bilhões.

Multiplicando-se os mesmos 7.000 quilos pelo preço de mercado, de Nova York, o gasto seria 82% menor, de Cr$ 31,1 bilhões. A diferença, portanto, foi de Cr$ 25,5 bilhões, nos dois primeiros meses de 83.

Os números finais – somando-se os gastos de 1982 (Cr$ 114,7 bilhões) com os gastos nos dois primeiros meses de 1983 (Cr$ 56,6 bilhões), chega-se a Cr$ 171,3 bilhões, valor das operações. Somando-se as diferenças de 1982 e 1983, para os preços de mercado e os preços pagos, tem-se Cr$ 76,5 bilhões pagos a mais pelo comprador, a Caixa Econômica Federal.



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