Jornal Diário da Manhã , sexta-feira 18 de novembro de 1983
SEM IMAGINAÇÃO – há meses que os economistas, analistas, banqueiros, correspondentes estrangeiros repetiam, todos os dias, que o Brasil não conseguiria o acordo com o FMI; depois, que não conseguiria empréstimos dos banqueiros, depois, que o “estouro das metas” tinha melado o acordo, e patati-patatá. Até às vésperas de cada acordo, dois ou três dias antes de seu fechamento, essas “fontes bem informadas” continuavam a negar a possibilidade de que eles ocorressem. O acordo chegou. A viola foi enfiada no saco? Não. Economistas, analistas, banqueiros, correspondentes estrangeiros, com a maior sem-cerimônia, já começaram a cantilena de que “problemas voltarão em fevereiro”. Se tivessem um momento de reflexão, essas “cassandras” todas, além de se envergonharem de tantas previsões desmentidas, verificariam que estão fazendo um mal imenso ao País. Sua obsessão com a renegociação da dívida externa, mantida há mais de um ano como tema quase único do debate econômico, impede que se dê atenção a outros problemas – e à cobrança de soluções.
ESPERANÇA ARGENTINA - outro tema que vai “entrar na moda”, até saturar qualquer cristão: a tal história de que o novo governo argentino vai “endurecer” a negociação com os banqueiros internacionais, exigindo condições novas para o pagamento da dívida externa. Ora, o governo argentino tem dito é que não podem pagar as prestações da dívida que vencem a curto prazo, e quer refinanciá-las. Nada de novo, nisso: foi exatamente o que todos os países endividados fizeram. E é lógico que os banqueiros sabem que precisarão mesmo conceder o refinanciamento à Argentina, pelo fato puro e simples de que o total de prestações que vencem em 1984 chega à soma astronômica de US$ 14,0 bilhões, o dobro das prestações devidas pelo Brasil no ano que vem, apesar da dívida externa argentina representar menos da metade da dívida brasileira: algo em torno de US$ 40 bilhões. O resto é fanfarronada. E desinformação.
CERTEZA MEXICANA – em nove meses, o México acumulou um saldo (exportações menos importações) de US$ 9,6 bilhões na sua balança comercial. Não foi, como sempre afirmam os economistas “catastrofistas”, apenas por causa da queda nas importações (e conseqüente recessão). As exportações, excluindo-se o petróleo, cresceram 11%.