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Jornal Diário da Manhã , sábado 10 de dezembro de 1983


ESMAGAMENTO – quando o ministro Hélio Beltrão pediu demissão, o ministro Delfim Netto, em nota oficial da Seplan, afirmou que o déficit da Previdência decorria de falta de competência – e que o governo federal nada devia àquele Ministério. É engraçado, assim, que tenha passado em brancas nuvens, na imprensa, uma entrevista recente do novo ministro, Jarbas Passarinho: ele confirmou que realmente aquela dívida é monstruosa, podendo “variar” (sic) desde os Cr$ 500 bilhões, apontados pelo seu antecessor, até Cr$ 4,0 trilhões, segundo outros cálculos de técnicos do Ministério. Para entender a importância desse “confisco” do dinheiro da Previdência: se o governo viesse pagando corretamente ao INPS, ao longo dos anos, esse dinheiro poderia ter sido aplicado de forma lucrativa, representando a constituição de reservas para momentos de crise – como no presente, em que o aumento do desemprego reduziu a arrecadação do INPS, ao mesmo tempo em que aumentou suas despesas. Em outros países, ministros ou governantes que desviem recursos destinados obrigatoriamente a certas áreas são alvos de processo. Uma idéia que deve ser meditada pelos sindicatos brasileiros – já que a “falta de dinheiro” do INPS serve, a todo momento, de pretexto para o ministro Delfim Netto tentar aumentar contribuições, ou determinar a redução dos benefícios oferecidos.

MAIS VAPOR – em novembro, a indústria automobilística dos EUA vendeu 675 mil automóveis e 220 mil caminhões (aumentos de 62% e 72% em relação a 1982, respectivamente): o mais alto nível desde 1978. Reflexo direto desse desempenho: a Ford do Brasil (que produz motores e outros componentes para a matriz) vem aumentando suas exportações mês a mês, e já vai faturar US$ 30 milhões acima das previsões, este ano. O mesmo, para outras indústrias automobilísticas e o setor de autopeças. Dólares.

A GRANDE ESPECULAÇÃO – como repisamos insistentemente aqui no DIÁRIO DA MANHÃ, o “crédito rural” para a comercialização de safras não beneficiou aos produtores, em 1984: foi usado pelas indústrias e supermercados para a estocagem especulativa. No caso da soja, a indústria absorveu 55 % do crédito. Montada em dinheiro oficial, “puxou” os preços do óleo.



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