Jornal Diário da Manhã , sábado 10 de setembro de 1983
O EXEMPLO MEXICANO – Quando assinou com FMI, no final do ano passado, o México também teve quer cortar subsídios, para reduzir o déficit do Tesouro. Os preços dos derivados do petróleo foram aumentados em 100%. Foi suspenso o tabelamento de preços de mais de 4.000 produtos. Em dezembro, a inflação disparou para a casa dos 10% ao mês – mas depois entrou em declínio: de janeiro a agosto, ela mal passou dos 50% e foi de apenas 3,9% no último mês. Contra 10,1% no Brasil. Milagre? Não.
Houve um “pacto social”, patrocinado pelo governo, com assinatura solene de acordos entre entidades empresariais e sindicatos de trabalhadores, em pleno Ministério da Indústria e Comércio. Os sindicatos se comprometeram a não reivindicarem reajustes superiores aos índices de inflação. E os empresários assumiram o compromisso de conter preços, principalmente de produtos básicos. Oito meses depois do acordo com o FMI, o México convive com uma inflação baixa e grande saldo na balança comercial – e já pode pensar em reativar sua economia, neste final de ano. Moral da história: o mal não é um País assinar acordos com o FMI. O mal é esse País ter governantes e ministros que não administram corretamente a economia, sacrificando desnecessariamente o povo.
OUTRO SALTO – Os supermercados paulistas vendiam carne congelada na faixa de Cr$ 1.400,00 o quilo, para os produtos de primeira. Esta semana, passaram a vender carne “fresca”. Novo preço: Cr$ 2.100,00 o quilo. Aumento: 50%.
DESTRUINDO O FUTURO – O farelo de soja, usado para rações na alimentação animal, está custando 60% mais caro, aqui dentro, do que no mercado mundial. Resultado: os avicultores paulistas já estão discutindo um acordo para reduzir sua produção de aves e ovos em 30%. Da mesma forma, no Paraná e em Santa Catarina, se planeja a matança maciça de suínos, devido ao custo do milho.
Daqui a algumas semanas, haverá escassez também de carne suína e de aves _ com disparada de preços. O governo continua a encarar com indiferença a especulação com produtos agrícolas.
DESTRUINDO O FUTURO – 2 – Enquanto tolera a especulação com soja e seu farelo, usado na alimentação das vacas, o governo recusa o aumento pedido pelos pecuaristas leiteiros. Desestímulo à produção. Tolerância com a especulação.