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  E é tudo mentira...

Jornal Diário Popular , terça-feira 13 de junho de 2000


O Brasil precisa exportar mais e importar menos, para juntar dólares e pagar os banqueiros internacionais e as multinacionais dos países ricos. Esse ‘‘saldo’’ de dólares, do valor das exportações menos importações, deveria chegar a 5 bilhões de dólares este ano, segundo o governo. Mas os resultados até maio são horríveis, mal chegaram aos 500 milhões de dólares — e devem piorar daqui pra frente. Por isso mesmo, com a falta de dólares, o real voltou a balançar nos últimos meses. O governo Fernando Henrique está preocupado em analisar o problema e adotar estratégias para evitar uma grande crise ainda maior? Não. O governo mais uma vez inventa mentiras para justificar os fracassos provocados pelos seus próprios erros. Pior ainda: a equipe FHC continua a usar dados enganosos para dizer que vai tudo muito bem, obrigado. Em matéria de exportações, por exemplo, o presidente e seus assessores vivem dizendo, alegremente, que as vendas de produtos industriais brasileiros para o mercado mundial está crescendo uns 25% neste ano. E mais: que há resultados fantásticos de alguns setores, como a indústria de telefones celulares, automóveis, ou aviões — setores que passaram a ser dominados por multinacionais ou por grupos ‘‘amigos’’ do poder. O salto é verdadeiro? Só na aparência. Na prática, não trazem dólares para o País.

Automóveis — as multinacionais só permitem que suas filiais brasileiras exportem para os países que elas próprias escolhem. Na verdade, quase só para a América Latina, ou, mais precisamente, para a Argentina e Venezuela. No ano passado, com a crise argentina (provocada pela queda do real) e na Venezuela (provocada pela queda dos preços do petróleo, que o país exporta, ao longo de 1998) as exportações brasileiras de automóveis despencaram praticamente pela metade. As fábricas ‘‘brasileiras’’ foram impedidas, pelas matrizes, de procurar vender em outros mercados. Agora, com a recuperação da Venezuela graças à alta do petróleo, as vendas de carros àquele país melhoraram. E é só.

Não há perspectiva de a indústria automobilística ‘‘brasileira’’ abrir mercados, conquistar mais dólares, a médio e longo prazos. Ela só faz o que as matrizes deixam.

Peças e componentes — Além disso, o governo fala só nos dólares ‘‘trazidos’’ pelas exportações. Mas deixa de falar nos dólares que esses setores gastam com importações maciças de peças e componentes. Isto é, o governo esconde que, na prática, o saldo em dólares é muito pequeno, não atende às necessidades do país. No caso dos aviões, sua exportadora, a Embraer, está importando o equivalente a nada menos de 70% do valor exportado. No caso dos automóveis, algumas marcas chegam a até 60% de peças e componentes importados. Para os celulares, a realidade é ainda mais trágica, ridiculamente trágica: o uso de peças importadas chega a 95% ou mesmo 100%, isto é, eles são apenas ‘‘montados’’ aqui, e suas exportações mal cobrem o valor das importações.

Enquanto continuar nas mãos das multinacionais, o Brasil continuará afundando. O governo FHC continua mentindo para si mesmo. Acreditar na própria mentira é uma forma de loucura...



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