Jornal Diário da Manhã , sexta-feira 7 de outubro de 1983
MENOS MAL – De dezembro de 1980 para cá, a indústria paulista desempregou mais de 20% da sua mão-de-obra, com a dispensa de mais de 400 mil trabalhadores, sobre um total anterior de 2,0 milhões. O avanço do desemprego marcou também as primeiras semanas de setembro mas, no final do mês, houve um declínio em seu ritmo, com o índice de 0,08% na quarta semana. Mais animador: de um total de mais de vinte setores industriais pesquisados, nove anunciaram aumento na contratação de mão-de-obra. Dois fatores estariam em cena, permitindo até uma ligeira expansão no nível de emprego neste final de ano: o aumento das exportações de manufaturados e as encomendas para vendas do final de ano. Sobre estas, porém – e compreensivelmente – existe ainda pouquíssimo otimismo.
MAIS MANOBRA – O Ministério da Agricultura distribui diariamente um boletim, com as cotações, no mercado atacadista, dos principais produtos agrícolas (arroz, feijão, etc.). No informativo de anteontem, quarta-feira, o Ministério classificou o mercado de feijão como “fraco” em São Paulo, isto é, com nível alto de oferta e, portanto, com tendência à baixa de preços. Já a Bolsa de Cereais, em seu boletim diário, continua a afirmar que o mercado está “calmo”, isto é, equilibrado. A ocultação da verdade surge como nova manobra destinada a impedir uma queda rápida dos preços – que já começou, com a “desova” de estoques e chegadas de novas safras.
CRUZEIRO EM QUEDA – Ninguém se surpreende com “decretações” mais freqüentes de minidesvalorizações do cruzeiro, nestes próximos dias. Acontece que o governo brasileiro havia decidido um “expurgo” também na correção cambial (semelhante ao que vem fazendo com a correção monetária, que não vem acompanhando a inflação). O Fundo Monetário Internacional, no entanto, não concordou com a decisão e na “Carta de Intenção” brasileira ficou previsto que a desvalorização do cruzeiro prevista entre março (isto é, após a máxi do final de fevereiro) e 15 de outubro deve acompanhar integralmente a taxa de inflação. Calcula-se que o “expurgo” já feito pelo governo chegava a 5%, isto é, o cruzeiro terá que cair, até 15 de outubro, uns 5% adicionais (além da correção normal do mês).