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  Por detrás das notícias

Jornal Diário Popular , domingo 10 de outubro de 1999


Se você analisar o que se esconde por detrás de certas notícias dos últimos dias, pode descobrir porque o desemprego e a miséria avançam no Brasil, enquanto pequenos grupos se enchem de dinheiro. É obra do governo FHC:

Desemprego – diz o noticiário que o número de contratações de trabalhadores cresceu fortemente na Europa, e que “França, Espanha, Portugal e Finlândia (país da empresa Nokia) registraram a maior queda nas taxas de desemprego”. Motivo: “em geral, as novas vagas foram abertas nas empresas de telefonia e de informática”. O que isso tem a ver com o Brasil? É simples: basta lembrar que são exatamente desses países que as empresas que surgem como principais “compradoras” das telefônicas ou empresas de energia que foram “privadoadas” no Brasil. Elas têm-se recusado a comprar equipamentos, para a ampliação das redes, no Brasil. Estão comprando lá fora, nos seus países, deixando de criar empregos, renda, arrecadação aqui dentro. E torrando dólares, enfraquecendo o Real, aumentado a crise. Atenção: até os telefones celulares são feitos totalmente, ou com 95% de peças importadas.

Energia elétrica – também dentro da política de “privadoação”, o governo FHC autorizou grupos empresariais, principalmente multinacionais, a construírem usinas para a produção de energia elétrica. Não se trata, porém, de usinas hidrelétricas, isto é, que utilizam as águas dos rios para movimentar suas turbinas. São usinas chamadas de termelétricas, e que usam combustíveis, principalmente o gás importado da Bolívia ou produzido no Brasil, e fornecidos pela Petrobrás. Acontece que o preço do gás subiu muito no mercado internacional, juntamente com o petróleo. Resultado: a energia produzida pelas novas usinas ficaria muito mais cara, não poderia concorrer com a energia fornecida pelas usinas movidas a água, que até hoje é grátis. Decisão do governo FHC: o gás será vendido a um preço mais baixo pela Petrobrás durante nada mais nada menos que vinte anos. Na prática, a Petrobrás vai ter prejuízo para grupos multinacionais terem lucros (remetidos para suas matrizes em dólar). Isto é, o Tesouro (“dono da Petrobrás”) vai aumentar seu “rombo” ao longo dos próximos vinte anos. Como é possível uma aberração dessas, quando o governo FHC “garfa” os aposentados, massacra os funcionários públicos, nega verbas para matar a fome de brasileiros do Nordeste, e o presidente vive falando nas “reformas” como caminho para reduzir o “rombo”?

Pior ainda – para garantir os lucros das multinacionais, o governo (isto é, nós, contribuintes) vai pagar a energia produzida pelas novas usinas e que “sobrar”. Como assim? Se uma multinacional construir uma usina capaz de produzir 1.000 quilovates (simplificadamente), e só encontrar consumidores para 800, o governo paga os 200 quilovates que “sobraram”. É essa a “privatização” do governo FHC. Uma indecência. Um assalto contra o povo. Sempre.



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