[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  Voltam as previsões de inflação maior

Jornal Folha de S.Paulo , domingo 13 de dezembro de 1992


Mercado financeiro trabalha com taxas mais altas de juros para dezembro e janeiro em função da tendência

O mercado financeiro já começou a trabalhar com juros mais altos para dezembro e janeiro, baseado em previsões de inflação mais alta também. Após a queda abrupta dos índices em novembro (até 4,5 pontos percentuais), podem ocorrer oscilações para cima em dezembro, o que não significaria uma volta definitiva à tendência de alta.

Mais claramente, a inflação pode cair para 22% em um mês, subir para 23% no outro, voltar a recuar para 21% no subseqüente. Continuará caracterizada a tendência declinante, ao longo do tempo. Em contrapartida, são exageradas as previsões de inflação de 26% em janeiro.

O governo precisa desencadear uma blitz contra estas estimativas, que são uma repetição das grandes jogadas do mercado financeiro. Há urgência na contra-ofensiva, antes que as empresas e a economia se contagiem com o pessimismo e a remarcação de preços “preventivamente” volte à cena.

Como combater a manipulação? Divulgando mais intensamente argumentos capazes de mostrar que nem mesmo em dezembro é forçoso que a inflação suba. Seguem-se alguns destes dados.

Inflação velha – Os índices de inflação de dezembro sofrerão algum impacto do reajuste de tarifas. Em compensação, eles serão puxados fortemente para baixo pelo modesto aumento do custo da cesta básica em novembro, com taxas na faixa de 15% na maioria das capitais. Pela forma de calcular a inflação no Brasil, o resultado de novembro (ultrafavorável, no caso) só vai ser plenamente sentido em dezembro.

Clima – Os índices de dezembro a março são sempre puxados para cima pela elevação dos preços de verduras, legumes e frutas, diante do maior consumo e estragos nas lavouras provocados pelo calor intenso, estiagens e chuvaradas. Em 91, o calor explodiu já em setembro. Este ano, há dias alternados de calor e chuva, sem temperaturas excessivas.

Clima, ainda – Este foi um ano úmido, sem ausência de chuvas de abril a outubro. Vem aí uma grande safra de frutas, porque as flores “vingaram” em larga escala (serão verdadeiras as previsões de pequena safra de café? Esperar para ver). Sem falar nas safras de cereais, leite e carne. Os preços dos alimentos podem ser pressionados em dezembro, com o Natal. Mas não em janeiro.

Indexação menor – Numa economia em que a inflação passada é utilizada para reajustar preços, contratos e serviços, a baixa taxa de novembro representa menor pressão sobre os custos das empresas e cidadãos. Os índices de reajustes trimestrais e anuais já refletem esta tendência.

Nos reajustes trimestrais (v.quadro), as taxas mais altas de agosto são substituídas pelas mais baixas de novembro. Nos reajustes anuais, “sai” novembro de 91 e “entra” novembro de 92, com recuo para o IGP-M da FGV, recua-se de 1.182% anuais em outubro para 1.159% em novembro: para o IPC da Fipe, de 1.144% para 1.109%.

Salários – Na primeira antecipação do governo Itamar, adotou-se 60% (e não 50%) do INPC do bimestre. Com isto, as empresas enfrentarão reajustes menores na reposição de janeiro. Além disso, o Índice de Reajuste do Salário Mínimo, aplicável aos salários em geral, já recuou em novembro e deve recuar ainda mais em dezembro por influência da cesta básica.

Ajuste fiscal – Mesmo se o Congresso não aprovasse nada da reforma fiscal, o governo já tem mais US$ 15 bilhões (é isso mesmo) garantidos, em caixa, para 1993 (veja quadro). Detalhe-se. Empresas e bancos já “abateram” indevidamente do seu IR em 91 US$ 6,5 bilhões, não podendo repetir a façanha em 93. Com o pagamento de juros atrasados aos credores, o Tesouro vai economizar US$ 1,8 bilhão ao ano.

O combate à sonegação, este ano, havia rendido US$ 2 bilhões até julho, podendo chegar aos US$ 5 bilhões (este ano...). A Previdência anuncia um superávit de uns Cr$ 12 trilhões, que sobre para 03. E a arrecadação da União, só em novembro, estourou em US$ 500 milhões. Estão aí os US$ 15 bilhões.

Capitalismo - Os preços do café vão às nuvens. Escassez? Não. O governo suspendeu por dois anos (até 94) a cobrança da dívida de US$ 350 milhões dos cafeicultores, permitindo-lhes segurar estoques. Capitalismo Brasileiro.

Milho, feijão - Nova safra e o preço do feijão cai após violentas altas. Agora só o milho continua em disparada, por erros do governo (há estoques). Pressão no preço de frangos e suínos. Em janeiro vem nova colheita.



Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil