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  Renegociação para evitar o pior

Jornal Folha de S.Paulo , domingo 15 de agosto de 1982


Queda das exportações e do investimento direto pode elevar dívida externa em 20% este ano

A política de recessão e o desemprego adotada pelo governo em 1981 foi uma exigência dos credores internacionais, diante do rápido agravamento da dívida externa do País. A mesma ameaça paira sobre o Brasil, neste momento, com perspectivas de uma política de cintos apertados ainda mais drástica, na opinião de economistas e líderes empresariais. Por isso mesmo, eles defendem a necessidade de o governo brasileiro tomar a dianteira, antecipar-se às imposições dos banqueiros, e procurar renegociar a dívida, obtendo a dilatação dos prazos de pagamento.

A iniciativa não teria o objetivo de apenas “jogar” os compromissos para mais tarde. Livre da preocupação de obter dólares a qualquer custo, para pagar os pesados compromissos de hoje, o Brasil poderia então – nessas análises – adotar uma política de longo prazo, um novo modelo de desenvolvimento, com prioridade para setores que ajudassem a conter o próprio ritmo de crescimento da dívida. “Reciclar” a economia, como foi feito no Japão.

Uma decisão nesse sentido é urgente, dizem os defensores da proposta, não apenas ante o agravamento da situação econômica mundial, como pelas perspectivas de que a dívida externa brasileira supere os US$ 85 bilhões – que caíram quase 20% em julho último – e a queda na entrada de investimentos estrangeiros podem levar a dívida externa brasileira a crescer nada menos que 20%, este ano, conforme análise publicada pela Folha de São Paulo na última segunda-feira, dia 9 de agosto.

Na verdade antes que aquela cifra fosse atingida, o País passaria a enfrentar novas exigências, dos banqueiros internacionais, sujeitando-se à adoção de “tratamentos de choque” que conduziriam à recessão.

Relatórios confidenciais que vêm circulando nas áreas oficiais mostram que, antes mesmo da piora ocorrida nas exportações deste ano, o Brasil enfrentava dificuldade crescente para pagar os compromissos resultantes de sua dívida externa. Sua vulnerabilidade às imposições dos credores internacionais é cada vez mais grave, tanto pelas dimensões da dívida em si, como pela enorme dependência em relação aos empréstimos dos bancos internacionais. Sem falar nos empréstimos de curto prazo, com vencimento no prazo máximo de um ano e meio, e estimados em US$ 13 bilhões nos estudos confidenciais de economistas, contra estatísticas oficiais que falam em US$ 11 bilhões.



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