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  Corrupção pouca é tolice

Jornal Diário Popular , terça-feira 12 de janeiro de 1999


Não são denúncias “levianas” das oposições, não. São os próprios técnicos do Fundo Monetário Internacional que, em relatório anual, dizem que o governo brasileiro despejou bilhões e bilhões de reais no mercado financeiro, principalmente a partir do segundo semestre do ano passado. Isto é, o governo FHC manipulou as Bolsas de Valores, o mercado de dólares, o mercado de taxas de juros, e os preços dos títulos da dívida externa brasileira, no mercado lá fora. Como isso era feito? O governo escolhia alguns banqueiros “de confiança”, algumas corretoras, além de diretores do próprio Banco do Brasil e dos fundos de pensão estatais e lhes dizia:

- Olhem, nós queremos que as Bolsas de Valores subam, para dar uma impressão de que tudo vai bem, criar um clima de otimismo...Então, é muito fácil “puxar” as Bolsas: basta comprar imensas quantidades de ações, para seus preços subirem. É isso que vocês vão fazer, para o governo: nós repassamos o dinheiro do Tesouro para vocês pagarem as operações...

A mesma manobra era feita com o dólar. Para tentar impedir que ele subisse, e o Real caísse, o governo chamava os “amigos” e os mandava vender bilhões e bilhões de dólares (não só “dinheiro vivo”, mas também contratos, nas chamadas Bolsas de Futuros). Dólares fornecidos pelo governo, claro. A mesma manobra era feita com os títulos brasileiros, os chamados “bradies” em Nova Iorque: os amigos recebiam bilhões de reais do governo para comprar os papéis, e impedir que eles caíssem, ou mesmo para fazê-lo subir.

Todas essas manobras eram feitas para o próprio governo, com o uso dos “laranjas” (isto é, bancos, corretoras, fundos de pensão). E, quando o Real desabou, as Bolsas caíram e os juros dispararam, o Tesouro teve prejuízos fabulosos. Quanto? O Banco Central só confessou prejuízos de 8 bilhões, com as manipulações do dólar. Com as demais operações, diz o FMI, não se sabe. Mas, além desses prejuízos bilionários, há um aspecto ainda mais inaceitável na incrível prática de meses a fio. Qual? Como você já deve ter deduzido, os banqueiros, corretores, diretores que eram chamados pelo governo ficavam sabendo que a Bolsa ia subir, os títulos lá fora iam subir, os juros iam ser “congelados”. É impossível acreditar que, dispondo dessa informação, eles não tenham feito compras maciças também para eles próprios e para clientes de grande porte ou amigos. Isto é, a manipulação do mercado meses a fio abriu caminho para imensas negociatas e lucros fabulosos para certos grupos. O presidente Fernando Henrique Cardoso sempre conseguiu apoio de seus aliados para evitar uma CPI sobre o mercado financeiro. Agora, está aí o relatório técnico do FMI. Ele mostra que o estardalhaço em torno daqueles dois bancos, Marka e Cindam, que o Banco Central “socorreu”, foi uma tolice, pois a manipulação e os negócios discutíveis foram permanentes, ao longo de meses. O Congresso já tem um ponto de partida para formar uma CPI.



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