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  Povão e classe média, esmagados

Jornal Diário Popular , domingo 30 de abril de 2000


Os brasileiros mais ricos, que representam apenas 1%da população, ganham mais dinheiro, a cada ano, que metade da população inteira, isto é, os 50% mais pobres. Além disso, esse 1% de brasileiros fica com nada menos de 13,8% de todo o dinheiro que a economia brasileira ‘‘produz’’ a cada ano, deixando uma fatia, para a classe média e trabalhadores em geral, muito menor do que em outros países. Esses dados, divulgados pelo IBGE, mostram como é incrível a ‘‘concentração de renda’’ no Brasil, com fortunas cada vez maiores nas mãos de poucas famílias. A pesquisa foi feita em 1998. No ano passado, a situação ficou ainda pior: em São Paulo, por exemplo, os 10% de trabalhadores que recebiam menos, até R$ 151, viram seus ganhos caírem nada menos de15% com o mesmo achatamento da renda atingindo a classe média, pois os trabalhadores na faixa acima de R$ 1.800 também passaram a ganhar menos 10% O presidente Fernando Henrique Cardoso, demagogicamente, sempre diz que os problemas da sociedade brasileira ‘‘são antigos’’, e que não pode resolvê-los em um prazo curto. A afirmação é falsa. Em qualquer país, o governo pode tomar medidas (e é sua obrigação fazê-lo) de política econômica para evitar que os ricos fiquem cada vez mais ricos, evitando que classe média e povão fiquem esmagados. No Brasil, o governo FHC tem feito exatamente o contrário:

Imposto de Renda — nos outros países, o IR vai aumentando, ‘‘em escadinha’’, de acordo com o aumento do rendimento de cada um, chegando geralmente a 40% para quem ganha mais (embora haja países em que os milionários chegam a pagar 80%. No Brasil, o governo FHC aumentou o Imposto de Renda para a classe média e trabalhadores, e o reduziu, de até 43% para 27,5% para os mais ricos, que agora pagam o mesmo que a classe média, isto é, ‘‘sobra’’ muito mais dinheiro para eles fazerem novos negócios, ficarem mais e mais ricos — enquanto o governo diz não ter dinheiro para reajustar os vencimentos do funcionalismo, que fica cada vez mais pobre.

Juros — Os mais ricos, ao contrário, aplicam seu dinheiro para ganhar juros absurdos. Ficam cada vez mais ricos.

Empresários — nos outros países, há empréstimos especiais, a juros baixos, para pequenos e médios comerciantes, industriais, etc. No Brasil, o BNDES, banco do governo, empresta aos mais ricos, à taxa de 11% ao ano. Eles ficam cada vez mais ricos. O BNDES chega ao absurdo de emprestar dinheiro a grandes empresários, para eles comprarem as empresas concorrentes menores. É o caso escandaloso dos supermercados, por exemplo.

A lista de vantagens para enriquecer ainda mais os ricos, no governo FHC, é muito mais extensa. Continua amanhã.



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