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Jornal Diário da Manhã , quinta-feira 18 de agosto de 1983


BRINCANDO COM FOGO – com os boatos de “maxidesvalorização”, o dólar chegou a Cr$ 1.300 no mercado negro do Rio e São Paulo, ontem, com uma alta em torno de 40% em 18 dias, isto é, em relação a 31 de julho. Acontece que as previsões de nova “maxi” se baseavam na alta do dólar no mercado internacional. E a moeda norte-americana caiu ontem, lá fora, pelo quarto dia consecutivo.

HORA DE ESTOCAR – o óleo de soja, vendido aos preços de Cr$ 400,00 a Cr$ 500,00 a lata, nos supermercados de Goiânia, já está custando Cr$ 625,00 no atacado. Quer dizer: vai a Cr$ 800,00 ou mais, para o consumidor. Estocá-lo virou melhor negócio que aplicar no “open” ou no “black”.

COMPETÊNCIA CONHECIDA – “o governo suspendeu o tabelamento do óleo de soja, mas vai evitar abusos”, diz o sr. Milton Dallari, enquanto os preços do produto disparam. O sr. Dallari é titular da Secretaria Especial de Abastecimento e Preços, também conhecida por Secretaria Especial para Aumentar os Preços.

O BRASIL SOZINHO – ainda há quem acredite que outros países latino-americanos poderiam formar uma “Opep dos Devedores”, para negociar em conjunto e pressionar os banqueiros. Nenhum desses países tem interesse em “solidarizar-se” ao Brasil. A Argentina, esta semana, renegociou US$ 5,5 bilhões de sua dívida, e conseguiu outros 1,5 bilhão para “reativar” sua economia. O México conseguiu, em seis meses, um saldo de US$ 6,0 bilhões em sua balança comercial – isto é, atingiu em um semestre a meta que deveria ser alcançada em doze meses. Está tão folgado, que se deu ao luxo de não usar uma parcela de US$ 1,1 bilhão de um “empréstimo-jumbo” que os banqueiros lhe concederam há dois meses. A Venezuela, com uma dívida de US$ 30 bilhões, tem US$ 10 bilhões de reservas.

O PAÍS DOS CHORÕES – diz-se, obsessivamente, que Estados e municípios estão falidos porque a União fica com “parte de leão” dos impostos no Brasil. Para meditar: no Rio Grande do Sul, as dívidas de empresas que não recolheram o ICM devido (sem mencionar fraudes) chega a Cr$ 95 bilhões, o equivalente a três meses de arrecadação, hoje. Há débitos que datam de 15 anos. O governo perdoou as multas e vai cobrar só 40% da correção monetária, a quem quiser pagar “espontaneamente”, até dezembro. Os Estados são “pobres”?



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