, quinta-feira 8 de junho de 2000
Um dia, no futuro, os brasileiros vão chorar quando se lembrarem dos acontecimentos de 7 de junho de 2000, ontem. Um dia de luto. O dia em que, mais uma vez, trabalhadores, classe média, empresários e agricultores brasileiros assistiram, de braços cruzados, à realização de novos leilões realizados pelo governo FHC para entregar o petróleo brasileiro, descoberto pela Petrobras, a grupos multinacionais. Os leilões não roubaram apenas o petróleo pertencente ao povo brasileiro. Roubaram seu próprio futuro.
O Brasil, endividado, “quebrado”, desnacionalizado poderia faturar bilhões e bilhões de reais, bilhões e bilhões de dólares nos próximos anos, e sair do buraco, garantindo seu futuro, se explorasse ele mesmo o seu petróleo. Os leilões enterram esse futuro. Mais uma fonte de riqueza nacional, de proporções fabulosas, passa para as mãos dos países ricos, pelas mãos de suas multinacionais.
Neste momento, na Venezuela, os trabalhadores estão em greve, para impedir que o governo venda suas empresas produtoras de alumínio. No Chile, considerado o país mais “entreguista” da América Latina (até a ascensão do governo FHC no Brasil), por sua abertura aos capitais estrangeiros, o governo não vendeu suas empresas produtoras de cobre - principal fonte de riqueza do país, embora não comparável ao petróleo. No Brasil, diante da passividade da opinião pública, o governo FHC entregou, no dia 7 de junho de 2000, algumas das áreas capazes de produzir petróleo mais fantásticas do mundo. Essa entrega, em si, já seria absurda. Pois ela, ainda por cima, foi feita a preço de banana.
Quando a imprensa diz, em manchetes, que as empresas compradoras pagaram preços l.000%, 10.000% ou 30.000% acima do preço que o governo pediu pelas áreas está faltando dizer que esse ágio (diferença de preços) não significa nada. O que importa, é óbvio, é quanto essas áreas podem produzir, quanto seus novos “donos” podem faturar e quanto eles pagaram por elas. Cálculos já divulgados há meses por esta coluna mostram que há áreas, no litoral brasileiro, que podem produzir petróleo no valor de até R$ 4 bilhões por ano, isto é, podem faturar R$ 80 bilhões antes do petróleo se esgotar, em 20 anos, o período. São minas de ouro como essa que o governo vendeu por 5, 50, ou até 120 milhões de reais. Mesmo por esse preço máximo, o governo FHC está vendendo por R$ l20 milhões um negócio de R$ 80 bilhões. Isto é, um negócio que vale 700 vezes mais. Um negócio que, no caso dos campos de petróleo situados no fundo do mar, pode dar um lucro de 900% pois o custo de produção de um barril fica em US$ 2,50 a US$ 3, e o esse barril é vendido no mercado mundial por US$ 25 a US$ 30, isto é, dez vezes mais.
Isto é, em um ano, um único campo desses faturaria R$ 4 bilhões, e poderia deixar um lucro de R$ 3,6 bilhões para o governo brasileiro, o Brasil e seu povo. Um único campo. Ontem, 7 de junho de 2000, foi dia de funeral para o povo brasileiro. Que a tudo assiste de braços cruzados.