Jornal Folha de S.Paulo , domingo 10 de abril de 1983
De dezembro do ano passado a março deste ano, a população sentiu mais forte no próprio estômago a alta do custo de vida. Enquanto escalões do governo atribuíam inicialmente às chuvas a elevação dos preços dos alimentos e, posteriormente, à máxi, a Fundação Getúlio Vargas – que oficialmente calcula os índices de inflação e do custo de vida – era afinal obrigada a admitir, na semana passada, que o custo da alimentação subiu 35% no primeiro trimestre de 83 e quase 15% apenas em março (preços no atacado).
Neste período, os produtos que subiram menos foram o macarrão em pacote (40%) e a lata de leite condensado (35%). O recorde de aumento coube às verduras e legumes, com o maço de espinafre (1.640%) liderando a alta de uma lista de 22 produtos. Depois dele veio a batata, tradicional produto substitutivo para o popular arroz e feijão, com 400% de aumento. A remarcação não foi sentida apenas nas feiras livres, varejões, mercadões. Também os supermercados e as lojas de bens duráveis não perderam a ocasião de, por conta das chuvas e da máxi, remontarem as etiquetas de preços sobre seus produtos.