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  Vale à pena estocar alimentos em casa?

Revista Doçura , maio de 1981


PRESTE ATENÇÃO: MINISTRO FALOU, EST?? FALADO.

Os segundos semestres de 1979 e 1980 foram marcados por grandes disparadas nos preços dos alimentos, trazendo surpresas desagradáveis ao consumidor e aos ministros da área econômica, às voltas com o combate à inflação.

Quase terminada a primeira metade de 1981, donas de casa e chefes de família se perguntam como será o restante do ano e tentam resolver uma dúvida básica: vale à pena fazer estoques em casa, para fugir à alta provável nos meses restantes? E mais: que produtos estocar? Para responder é preciso, antes de mais nada, lembrar que dinheiro "empatado" pode: ria estar investido, rendendo juros. Por isso, só vale a pena armazenar alimentos se seus preços forem subir mais do que os rendimentos que o dinheiro aplicado ofereceria.

PREÇOS CONTROLADOS — Alguns produtos continuam mais ou menos tabelados pelo governo. Isto é, seus preços só variam mediante aprovação dos ministros. Esses aumentos geralmente são concedidos a cada 3, 4 ou 6 meses, e, por isso mesmo, são sempre grandes, com altas entre 25% e 40%. É lógico que, neste caso, sempre é vantagem comprar a mais e armazenar, antes do aumento. Como saber quando o aumento virá? Muito simples: geralmente, uns 20 ou 15 dias antes, os empresários e representantes do governo começam a fazer reuniões, para discutir de quanto será o aumento — e isso é largamente anunciado pela imprensa. Essa é a hora de comprar. Depois, não adianta, já que entre o dia da aprovação e o dia autorizado para o aumento, fica difícil encontrar a mercadoria. Logo, a solução é comprar assim que começam a sair notícias sobre a discussão do reajuste. O que vale dizer: muita atenção aos jornais, revistas, rádios e TVs.

QUANDO ESTOCAR — Arroz, feijão, óleos — é aqui que a dona de casa costuma se confundir. E o noticiário sobre secas, inundações e conseqüentes perdas de colheitas só fazem aumentar a confusão. Este ano, as safras prometiam ser muito boas, com possível estabilização de preços no segundo semestre. Depois, começaram a surgir notícias sobre perdas de safras devido ao mau tempo. Conclusão: não se deve dar atenção a notícias isoladas, sobre seca numa ou outra região do sul do país, ou lavouras destruídas num ou outro município da região. Como a safra ia mesmo ser muito grande, perdas em alguns locais não querem dizer nada — os preços não precisam subir por isso.

Importante, na verdade, é estar atento a quedas na produção prevista — atenção! — para o país inteiro, e que são reconhecidas publicamente por ministros e funcionários do governo. Se eles disserem que a safra do país vai ser menor em 10%, 15% ou 20%, em determinado produto, é sinal de que os preços não se estabilizarão no segundo semestre. A melhor solução será fazer "estoquinhos", o que significará economizar.

Conheça letras, ações, depósitos a prazo fixo. Mas cuidado com os estouros.

NÃO É SO DE CADERNETA QUE A POUPANÇA VIVE

O violento crescimento das cadernetas de poupança no Brasil, nos últimos anos, tem muitas explicações. Porém, a que mais pesou para essa preferência de milhões de investidores foi, sem dúvida, a simplicidade do sistema.

Explicando melhor: qualquer pessoa "entende" o funcionamento das cadernetas, que se resume em fazer depósitos sobre os quais são pagos juros e correções monetárias.

SIMPATIA PERIGOSA — Ao contrário, parece demasiado complicado para igual número de pessoas aplicar seu dinheiro na compra de letras de câmbio, em depósitos a prazo fixo, nos bancos e, sobretudo, na compra e venda de ações, que são encarados como uma aplicação onde se pode ganhar, mas, também, perder dinheiro. A simpatia geral pelas cadernetas, no entanto, pode fazer com que as pessoas percam a oportunidade de fazer o seu dinheiro render mais. Por quê?

Antes de mais nada, porque há datas certas para se fazer depósitos — o que significa que quem tem dinheiro nas mãos antes destas datas, não pode fazer aplicações. Além do mais, os saques nas cadernetas também só devem ser feitos depois de certos prazos, ou os juros e correção monetária serão muito menores — ou nem serão pagos.

JUROS ALTOS? CUIDADO! — Bancos e financeiras, que emitem as chamadas letras de câmbio, podem aceitar aplicações por poucos dias. Os juros pagos serão mais baixos, mas é sempre uma forma de fazer o dinheiro parado render.

Outro detalhe, que muita gente desconhece: bancos e financeiras menores — isto é, não ligados a grupos financeiros famosos — costumam pagar juros um pouquinho mais altos. Mas, atenção: juros um pouquinho mais altos. Por¬que, quando alguém oferecer juros muito mais altos, é recomendável que o investidor desconfie — há sempre o risco de, no futuro, a instituição enfrentar problemas ao ter que devolver o dinheiro a quem aplicou.

Quem escapar à tentação de receber grandes juros não tem nada a perder. Aplicar dinheiro em instituições menores e menos conhecidas é quase sempre um bom negócio — porque, no caso de "estouro", o dinheiro é sempre devolvido aos pequenos investidores, pelo próprio Banco Central.



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