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Jornal Diário da Manhã , terça-feira 1º de novembro de 1983


Inflação e bruxarias – apesar da queda observada nos preços dos alimentos há várias semanas, os porta-vozes do governo continuavam a afirmar, estranhamente, que a inflação de outubro ainda seria muito alta, na faixa dos 12% a 14%. Agora, surge a explicação para o mistério: acontece que, ao calcular a taxa de inflação de setembro, a Fundação Getúlio Vargas somente incluiu os aumentos de preços ocorridos até o dia 20 de setembro, e não até 25 de setembro, como seria o correto (como já se explicou aqui, a taxa de inflação de um determinado mês é estabelecida, na verdade, com base no comportamento dos preços entre o dia 26 do mês anterior e o dia 25 do mês subseqüente). Quer dizer: a inflação de setembro foi na verdade superior aos 12,8% não expurgados, anunciados pela "respeitabilíssima" Fundação Getúlio Vargas. Quer dizer: a Fundação e o ministro Delfim Netto voltaram a manipular índices, como agora é confessado por descuido.

Achatamento duplo – a Fundação Getúlio Vargas, teoricamente, é uma entidade independente, não pertencente ao governo, e no entanto se dispõe a manipular índices – mais uma vez. Como acreditar que o IBGE, que é um órgão governamental, não está "expurgando" o INPC? Neste caso, os assalariados estão sofrendo duplo achatamento em seus ganhos: pelo INPC manipulado, e pela aplicação somente parcial do índice, conforme previsto no decreto 2.065.

Inflação inchada – com a manipulação do índice de inflação para baixo em setembro, a queda da inflação em outubro vai ficar distorcida. Na realidade, a inflação foi mais baixa. Nos cáculos da fundação, ela continuou muito alta – porque os aumentos de preços entre o dia 20 e o dia 25 de setembro não foram incluídos no índice de setembro. Vão ser incluídos nos índices de outubro, engordando-os.

Os encalacrados – também o Chile, a exemplo do México e Argentina, começa a safar-se da recessão: em setembro, a produção industrial cresceu 3,1% em relação a agosto, e 11% em relação a igual mês de 1982. O violento desemprego, que já andou pela casa dos 25%, declinou para 15%.

Os encalacrados – com base nos resultados dos nove primeiros meses do ano, a Polônia acredita que sua economia crescerá 2,4% este ano. As exportações avançaram 12%, e haverá um saldo de US$ 1,4 bilhões na balança comercial (exportações menos importações).



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