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Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 21 de setembro de 1983


RECUPERAÇÃO EM MARCHA – Os economistas ainda não descobriram que chegou a hora de mudar a “ladainha” sobre crise mundial e continuam a repetir as análises aterrorizantes que eram válidas no começo do ano. Nos EUA, a indústria já está utilizando 77,3% de sua capacidade instalada, contra até 50% no pico da recessão do ano passado. Trata-se de um nível perto do limite, que fica entre 80 e 85% (somente em épocas de guerra se chegou à utilização plena da capacidade industrial). No Japão, a economia teve um crescimento real de 0,9% no segundo semestre, e o governo já projeta um crescimento de 3,4% ao ano para os próximos nove meses. Inglaterra e Alemanha acusam desempenhos semelhantes. Se a economia cresce, cresce o comércio internacional. Logo, as exportações dos países em desenvolvimento. Inclusive o Brasil. A recessão vai ficando para trás.

OS ENCALACRADOS – A Nigéria, grande mercado para manufaturados brasileiros até mergulhar em violenta crise no ano passado (devido à queda nas receitas do petróleo), está normalizando sua situação e, esta semana, chegou a um acordo com o FMI, para um empréstimo de US$ 2 bilhões. O México, também graças à recuperação do mercado petrolífero, acumulou um saldo comercial (exportações menos importações) de US$ 7,4 bilhões até agosto, ou US$ 1,4 bilhão acima da meta de US$ 6,0 bilhões assumida com o FMI para o ano todo. Finalmente, os países do bloco socialista, que também mergulharam em crise de endividamento em 82 (com a Polônia e a Romênia como casos extremos), tiveram um superávit comercial (exportações menos importações) recorde no primeiro semestre deste ano: US$ 3 bilhões, contra US$ 1,2 bilhão em igual período de 1982.

DOLAR-BOBAGEM – Em meados de agosto, isto é, um mês atrás, o dólar estava sendo negociado a CR$ 1.200,00 no “negro”. Quem ficou com seu dinheirinho parado no “black”, perdeu no mínimo o equivalente à correção monetária de um mês, na casa dos 9%. E o “black” tem tudo para recuar, quando o acordo com o FMI sair, nos próximos dias.

PAIS NENHUM – O milho disparou para a casa dos Cr$ 10.000,00 a saca. Resultado: os pecuaristas do Sul estão alimentando seu gado com trigo importado, vendido a Cr$ 8.100,00 a saca. Subsidiado pelo governo.



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