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  O assalto dos telefones

Jornal Diário Popular , terça-feira 9 de maio de 2000


Antes de vender as empresas telefônicas, o governo FHC gastou nada menos de R$ 21 bilhões em obras, instalação de redes e construção de centrais. Tudo, em apenas 30 meses, antes da realização dos leilões para escolher os ‘‘compradores’’, entre eles a Telefonica espanhola. Depois, na hora de vender, pediu só R$ 13,5 bilhões pelas suas ações — ou três vezes abaixo do preço previsto pelo ex-ministro Sérgio Motta, de R$ 35 bilhões. E, ainda por cima, para serem pagos em três anos, isto é, com uma parte da prestação paga pelos próprios lucros das empresas ‘‘doadas’’.

Se alguém ainda tinha dúvidas de que a ‘‘venda’’ do chamado sistema Telebrás e Embratel foi um negócio da China, ou um assalto contra o povo brasileiro, vale a pena ver o que aconteceu na Inglaterra, há duas semanas.

Lá, o governo realizou leilões para a venda das ‘‘licenças’’, ou ‘‘concessão’’, como dizem os técnicos, para empresas explorarem os serviços de telefone celular. Com o País dividido em cinco regiões de exploração, os grupos compradores pagaram nada menos de US$ 35 bilhões, ou praticamente R$ 70 bilhões, pelo negócio. Repita-se: foram R$ 70 bilhões só para comprar o ‘‘direito’’ de explorar os serviços, compra de ‘‘vento’’, cabendo às empresas investirem bilhões e bilhões de dólares para formar sua clientela, faturar e lucrar. Aqui, o governo pediu só R$ 13,5 bilhões por empresas com um patrimônio avaliado em mais de R$ 100 bilhões, com um lucro de R$ 4 bilhões no ano anterior à privatização — e que ainda por cima gastaram R$ 21 bilhões antes do leilão, deixando uma fantástica infra-estrutura novíssima para os compradores’’ a quem coube, praticamente, apenas ‘‘ligar’’ os telefones. E lucrar com o patrimônio e os investimentos realizados com dinheiro do povo brasileiro.

O preço pelo sistema de telefonia brasileiro foi uma vergonha. Mas não só o preço. Para aumentar os lucros dos compradores, as tarifas dos serviços usados pelos trabalhadores e classe média foram aumentadas em 2.800%, ou praticamente 30 vezes, desde que a privatização foi decidida.

Uma das desculpas para esses aumentos enganou muita gente: as empresas seriam obrigadas a fornecer um atendimento de alto nível, instalar serviços telefônicos mesmo em cidades pequenas e orelhões em bairros periféricos. Isto é, serviços que não dariam muito retorno, porque os moradores dessas áreas têm renda baixa, e só os usam controladamente, para o essencial. Mais uma vez, era mentira do governo FHC.

Noticia-se agora que as metas para esses serviços menos lucrativos só valem a partir de 2003 — mas as tarifas foram calculadas lá em cima para compensar seu custo desde já. E, pior: em todo o Brasil, as telefônicas estão fechando postos e escritórios de atendimento dos assinantes — até em capitais de Estado, cujos moradores só podem solicitar serviços, fazer reclamações, por telefones. Supressão de serviços. Desrespeito, deboche, para com o consumidor. Só no Brasil de FHC, mesmo.



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