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  Crescimento no ano 2000

Jornal Diário Popular , dezembro de 1999


Todo mundo quer boas notícias para o ano 2000, claro. E as tradicionais pesquisas de opinião de final de ano, com economistas e empresários, estão ultra – otimistas, com todos apostando no crescimento econômico, e desentendo-se apenas em relação ao “tamanho” da expansão do PIB (valor dos bens e serviços produzidos no País em um ano), que i9ria de 2,5% para os mais modestos, a até 6% para os mais eufóricos.

O que interessa para o trabalhador é: se esses palpites estiverem certos, isto significaria que a crise ficou para trás, e haverá mais empregos e maiores salários para todos? Para obter uma resposta correta você precisa se lembrar de que “as estatísticas enganam sempre”. Veja o que aconteceu este ano, por exemplo. O presidente da República repete que a economia acabou surpreendendo os pessimistas, com o PIB apresentando uma queda de no máximo 1% segundo o IBGE. Há quem acredite que o resultado foi pior, que o IBGE estaria “enfeitando” um pouco as estatísticas. É o caso do ex-ministro João Sayad para o qual, Por exemplo, é estranho que o IBGE diga que o valor dos aluguéis recebidos pelos proprietários de imóveis (sua renda entra no cálculo do PIB) aumentou este ano. Por que a desconfiança? Porque se sabe que há praticamente 30 mil casas e apartamentos fechados, sem inquilinos, apenas na capital paulista, um aumento de quase 20 (vinte) vezes em relação as 1.700 residências nessa situação há quatro anos. Então, a renda dos proprietários não podem ter subido, e sim caído.

No caso do PIB deste ano, é preciso ver que a agricultura e a indústria tiveram comportamentos opostos. Setores industriais apresentaram novos recuos de até mais de 15% (máquinas, equipamentos eletroeletrônicos, automóveis calçados), acumulando queda superior a 30% na comparação com seus anos de “pico” (mais uma vez, lembrar que as montadoras estão produzindo apenas 70 mil a 80 mil veículos,ou menos da metade dos 180 mil de dois anos passados).

Todo o pretenso “equilíbrio” do PIB, ou da economia, portanto, foi provocado pela agricultura, que teria crescido 10% (há quem negue esse número). É esse “crescimento” que é totalmente enganoso. Por que? Sem gozação, o saldo agrícola de 10% em 1999 só foi possível porque no ano anterior, 1998, houve uma desgraceira para os agricultores, isto é, a produção despencou de 80 a 81 milhões de toneladas, em 1997, para 75 milhões para 82,0 milhões de toneladas, dando a impressão do crescimento do PIB, só foi possível porque a produção havia desabado.

A mesma coisa pode acontecer com a indústria no ano 2000. ela pode crescer 10% e “engordar” o PIB – mas isso não significará “crescimento”, e sim compensação, ainda por cima parcial, dos recuos acumulados de 15%, 20%, 30%, dos últimos anos. O Pib ilude.



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