Jornal Diário Popular , dezembro de 1999
Grandes empreiteiras roubando bilhões do Tesouro, cobrando preços superfaturados, isto é, quatro, cinco, dez vezes maior que deveriam ser. Grandes indústrias desviando bilhões do Tesouro, dos contribuintes brasileiros, cobrando preços igualmente superfaturados no fornecimento de renda escolar.
Todo mundo entende que, nesses casos, há um assalto contra o dinheiro do povo, que poderia ser usado para acelerar o crescimento econômico e melhorar a situação dos brasileiros de todos as classes sociais e setores.
O crimes e suas conseqüências são claras, para a opinião pública. Agora, responda você mesmo: o que acontece quando o governo vende por 10 uma empresa, um negócio, um bem qualquer pertencente à sociedade e que vale 100, isto é, vale 10 vezes mais? O resultado é, igualmente, desvio de dinheiro de todos os brasileiros, com as mesmas conseqüências do superfaturamento, da corrupção, certo? Um crime igualzinho, certo? Essa realidade, no entanto, não é percebida pela opinião pública, que se indigna com o superfaturamento, a corrupção, e fica de braços cruzados diante de “negócios da China” que, na prática, roubam bilhões pertencentes a todos os brasileiros.
Neste momento, uma gigantesca “marmelada” bilionária, um dos maiores assaltos já realizados no mundo, vem sendo executada no Brasil. Um campo de petróleo, que vale de 40 a 50 bilhões de dólares, ou de 80 a 100 bilhões de reais, está sendo “entregue”, por 500 milhões de reais a uma dezena de grupos empresariais, nacionais e estrangeiros – que, aliás não têm nem essa merda de tostões, tanto que o projeto está atrasado.
Como assim? A Petrobrás, isto é, o povo brasileiro gastou mais de 3 bilhões de reais, ao longo de cinco anos, para descobrir o campo de petróleo de Marlim, no litoral de Campos, Rio de Janeiro. Já está provado que existem ali 2 bilhões de barris de petróleo. A 20 ou 25 dólares o barril, são portanto 40 a 50 bilhões de reais, pertencentes ao povo brasileiro, já que a Petrobrás pertence ao Tesouro, isto é, a sociedade brasileira.
O que fez o governo FHC? Convidou uma dezena de empresários a serem sócios na exploração do petróleo de Marlim. Vão tirar dinheiro do bolso, para terem direito a participarem dos lucros que pertencem ao povo brasileiro? Nem isso. Eles foram orientados pelo BNDES a “formarem” uma empresa especial, só para sugar os bilhões de Marlim. O quê essa empresa faria? Tente adivinhar. Difícil? Espante-se: seu objetivo “especial” é apenas... tomar 1,5 bilhão de reais emprestados no mercado mundial para ampliar no Marlim. A operação começou a ser fechada, na semana passada, no exterior. Assalto bilionário. E tranqüilo.