Jornal Diário Popular , sexta-feira 29 de outubro de 1999
As vendas dos supermercados haviam caído 8,8% em agosto.Voltaram a recuar 6,6% em setembro. Isto é, o povo não está comprando nem comida. O emprego industrial voltou a cair em setembro e está uns 8% abaixo do nível do ano passado. Isso, às portas do Natal. O governo FHC continua ampliando a destruição dos empregos, das empresas, da economia nacional. Mas você deve fazer justiça: ele não está agindo sozinho, e só consegue manter essa política de “terra arrasada”, graças a poderosos aliados. Quem são eles? As entidades que deveriam cuidar dos interesses dos empresários como as associações comerciais, as associações brasileiras setoriais, as federações das indústrias.
Elas deveriam estar protestando, pedindo mudanças na política econômica. Fazem exatamente o contrário. Como autênticos bobos da corte, vivem fazendo humor, par agradar o rei algoz, Fernando Henrique, e sua corte de nobres-carrascos, Malan, Fraga, Amadeo & Cia. Veja você alguns exemplos das anedotas desse bando de galhofeiros, do qual participam também deformadores de opinião e institutos outrora respeitáveis como a Fipe, IBGE, Ipea:
Supermercados – há um mês, a associação nacional do setor anunciava “aumento nas vendas” este ano. Palhaçada.
Indústria – a Confederação Nacional da Indústria vem fazendo previsões otimistas para o futuro da economia, dizendo que ela crescerá 5% no ano 2000. Por que? Ah, diz a CNI, em setembro, pela primeira vez este ano, as vendas industriais superaram os resultados do ano passado. Um fato “festejado” também pelo IBGE. É a recuperação surgindo. Antes de mais nada, a presidência da CNI tem a obrigação de saber que as tais “vendas industriais” não medem o aumento da quantidade produzida, e sim do “faturamento” das empresas (a mesma coisa, aliás, que acontece com os supermercados). E daí? Acontece que, quando os preços sobem, o faturamento aumenta. Isto é: na verdade, não há “recuperação”, pois não há aumento da produção, aumento de encomendas para os fornecedores, aumento no número de trabalhadores. Nada. E foi exatamente o que aconteceu em setembro.
Os dados do CNI e IBGE mostram avanço nas vendas dos setores de papel e aço, e indústria automobilística. Para papel e aço, houve violenta alta de preços internacionais, isto é, o faturamento cresceu graças às exportações. E para automóveis? A CNI e o IBGE deveriam saber que o setor está produzindo 110 mil, 120 mil carros por mês, contra 180 mil no ano passado. Como explicar o aumento das “vendas” da indústria? É simples: em agosto e setembro, estava chegando ao fim a tal redução de impostos concedida ao setor. Então, as fábricas “fingiram” estar vendendo os carros, para as revendedoras, para aproveitar o prazo em que ainda podiam emitir notas fiscais com impostos menores.
O problema dos bobos da corte é que, enquanto eles mantêm a louca alegria dos reis e nobres, o povo fora do castelo é massacrado pela crise galopante.