Revista Doçura , dezembro de 1980
Economizar o máximo gastar com sabedoria e aplicar o dinheiro poupado. Estas deverão ser grandes preocupações do brasileiro para o ano. Primeiro, porque pairam sobre nós duas ameaças:
1) DINHEIRO CURTO — A dívida externa cresceu demais e agora o Brasil tem dificuldade para conseguir novos empréstimos no Exterior. Por isso o governo vai adotar medidas econômicas que evitem um crescimento muito rápido da economia (porque este crescimento traz também aumento nas importações e a necessidade de pedir mais dinheiro emprestado lá fora). Mas menor crescimento significa menos dinheiro, menos renda para o povo e para as empresas. Isso pode levar a um mercado de trabalho desfavorável, com poucas propostas de emprego mais vantajosas e mesmo desemprego temporário em alguns setores.
2) ESCASSEZ — Também para ajudar a pagar a dívida externa, o governo parece disposto a estimular as exportações e receber dólares. Dessa maneira, o preço dos artigos exportados pode subir rapidamente — afinal, tais artigos ficarão mais escassos aqui dentro.
Mas há também dois motivos alegres para poupar:
1) CORREÇÃO CORRIGIDA — A correção monetária voltará a acompanhar o ritmo do aumento de preços. As cadernetas de poupança, os certificados de depósito a prazo e as letras de câmbio renderão muito mais. (Os dois últimos títulos, com correção monetária pós-fixada, isto é, calculada mês a mês, de acordo com a inflação.)
2) IMPOSTO PERDOADO — Como está mais difícil conseguir empréstimo lá fora, o governo pensa usar as próprias economias do povo para executar certos projetos.
E para animar a população a investir, certamente criará vantagens, como o perdão de impostos ("incentivos") a quem aplicar dinheiro naqueles projetos.