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  Educação, falsa prioridade

Jornal Diário Popular , sexta-feira 5 de maio de 2000


A toda hora você vê na televisão aqueles anúncios do governo mostrando maravilhas que estariam sendo realizadas na área da Educação: crianças trabalhando em computadores, idosos que foram alfabetizados, jovens realizando pesquisas em laboratórios de ciências, um verdadeiro paraíso. O IBGE e o próprio Ministério das Comunicações estão divulgando estatísticas que mostram uma realidade bem diferente. Não passa de uma invencionice, sempre repetida pelo presidente da República, a história de que o governo FHC está fazendo uma ‘‘revolução na Educação’’, beneficiando os trabalhadores e suas famílias. O que os dados do próprio governo revelam?

* Analfabetismo — Há, no Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas, acima dos 15 anos, analfabetas e semi-alfabetizadas. Os programas de Alfabetização Solidária, sobre os quais o governo e empresas fazem tanta propaganda, atenderam a apenas 700 mil pessoas no ano passado. Os analfabetos, pelos critérios do IBGE, continuam a representar nada menos de 13,5% dos brasileiros acima dos 15 anos. Mas esses 13,5% são a média nacional, que é puxada para baixo pelos resultados do Sul/Sudeste, onde a taxa é de 4% a 5% de analfabetos (isto é, os pobres e seus filhos). No Nordeste, ela chega a incríveis 27,5%.

* Computadores — Segundo os dados do MEC, no ensino fundamental (primário), apenas 12% das escolas estaduais têm laboratórios de informática. No Nordeste, apenas 1,5% das escolas têm computadores. Para os laboratórios de ciências, o quadro mostra as mesmas deficiências prejudiciais à qualidade do ensino e aprendizados: apenas 17% das escolas estaduais possuem essas instalações.

* Bibliotecas — Toda a propaganda em torno da distribuição de livros didáticos encobre outra realidade: ela existe em apenas 4% das escolas rurais, em 10% das escolas municipais, e em metade das escolas estaduais.

* Energia elétrica — Não dispõem sequer de energia elétrica 65% das escolas primárias do Norte, 55% do Nordeste e 25% do Centro-Oeste. (O governo promete começar a atacar o problema, com a compra de pequenos geradores elétricos para as escolas...).

* Repetência — Mais de dois terços dos alunos de primeiro grau, no Brasil, já repetiram alguma série, e por isso estão ‘‘atrasados’’ — problema que os críticos relacionam à falta de condições das escolas e à vida miserável de vastas faixas da população. Para enfrentar esse problema, que os técnicos chamam de ‘‘defasagem série-idade’’, o governo criou a ‘‘promoção automática’’, que piora ainda mais o nível de aprendizado das crianças brasileiras. O governo diz que outra arma contra a repetência são as ‘‘classes de aceleração, onde os alunos muito ‘‘atrasados’’, isto é, muito velhos para as séries que estão frequentando, recebem atenção especial, aprendem e conseguem completar duas séries em um só ano. A verdade? Para 35 milhões de alunos no ensino fundamental e médio, somente 1,2 milhão de estudantes tiveram direito às classes de recuperação em 1998 e 1999.

O Paraíso da Educação, para o bem do povo, não passa de propaganda.



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