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  Cadê os empregos?

Jornal Diário Popular , quinta-feira 13 de julho de 2000


Com espalhafato, a Confederação Nacional da Indústria anuncia que o aumento no número de empregos no setor foi ‘‘recorde’’, com 0,86%de avanço no mês de maio, na comparação com abril. Preste atenção: o ‘‘recorde’’ foi a taxa de 0,86% não o número total de empregos na indústria, ou mesmo o número de empregos criados no mês. Como assim? Como você deve se lembrar, o número de trabalhadores na indústria brasileira era de 6,5 milhões. Com as importações, destruição de empresas nacionais, desnacionalização, o número caiu para 4,5 milhões, com a destruição de nada menos de 2,0 milhões de empregos. Agora, faça as contas: hoje, se o emprego crescer 1,0% isto significará apenas 45 mil empregos, sobre os 4,5 milhões; no passado, sobre 6,0 milhões, para alcançar o mesmo 1,0% seria necessário criar 60 mil vagas.

Recordista absoluta, isto sim, em bajular o governo FHC, em lugar de defender o empresariado brasileiro, a CNI diz ainda que os salários líquidos reais cresceram 4,06% na comparação com maio de 1999 — esquecendo-se de apontar a influência que o reajuste do salário mínimo teve nesse ‘‘aumento’’, falsamente interpretado como início da recuperação do mercado de trabalho... O cenário brilhante traçado pela CNI é desmentido por dois outros dados estatísticos que ela mesmo divulgou: na comparação com abril, as horas trabalhadas e as vendas reais recuaram. Esses dados negativos deverão repetir-se quando forem anunciados os resultados de junho, bastando atentar para o que vem ocorrendo em dois setores:

Automóveis — Já divulgou, isoladamente, o resultado do mês passado. As vendas recuaram praticamente 5%. Há estoques encalhados, para 38 dias. E há montadoras anunciando férias coletivas. Tecidos e calçados — O setor enfrenta uma retração gigantesca, da qual pouco se fala. De janeiro a junho, suas vendas desabaram nada menos de 25%. E em julho nada mudou: a retração do consumidor é tão grande, que mesmo nos shopping centers as lojas deram início a violentas liquidações de roupas de inverno — que, tradicionalmente, eram programadas somente para a segunda quinzena de agosto... Alimentos — As vendas nos supermercados recuaram na faixa dos 2% no primeiro semestre. E julho está apenas ‘‘razoável’’, diz a entidade do setor.

No passado, a indústria costumava fazer contratações e aumentar a produção a partir de julho/agosto, para atender às encomendas do comércio, destinadas à formação de estoques a partir de outubro, para atender às vendas de Natal. No quadro atual de retração do consumidor, pode-se prever que os comerciantes agirão com imensa cautela em suas compras junto à indústria — como no ano passado. É evidente que a recuperação da economia continua a depender de políticas de longo prazo do governo. Que não existem. Ao contrário, como se verá amanhã.



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