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Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 30 de novembro de 1983


Catastrofismo Militante – a crise econômica e social, que já é grande, continua a ser ampliada pelo noticiário da imprensa. Em quase todos os jornais, esta semana o título: "ICM cai 22%", reforçando a convicção de que tudo vai de mal a pior, os Estados estão "quebrados", os municípios idem, "não há saída, não há saída, não há saída". Quem lesse a notícia toda veria que, mais uma vez, a realidade é exatamente o oposto. A arrecadação do ICMS deu um salto de nada menos de 26,4% no País, no mês passado, demonstrando imensa melhoria na situação dos Estados. A queda de 22%, a que os títulos aludem, se refere aos resultados acumulados de janeiro a setembro: como tinha havido um declínio nos primeiros meses do ano, os avanços ocorridos em agosto e setembro ainda não foram suficientes para compensar o recuo anterior. Mas o que importa é a tendência atual. Que é de melhora.

Juros mais baixos – cresce a expectativa de baixa para juros nos EUA e, consequentemente, no mercado internacional, beneficiando países devedores, como o Brasil. Motivo: o déficit do Tesouro norte-americano para o ano fiscal 1982/83 (outubro de 82 a setembro de 83) foi de US$ 195 bilhões, e não de US$ 210 bilhões, como estava previsto no orçamento, com um detalhe: os críticos de Reagan sempre afirmaram que a meta oficial ia ser estouradíssima, e o “rombo” chegaria aos US$ 300 bilhões. O déficit menor significa que o Tesouro não precisará vender tantos títulos no “open” de lá, como se previa, levando à queda dos juros. Outro fator em cena: a economia norte-americana continua a crescer em um ritmo superior às previsões, tanto que o indicador de tendências divulgado na semana passada avançou mais 1% no mês de setembro. Apesar disso, os meios de pagamento (moeda em circulação mais depósitos à vista) não estão “estourando” também como se previa, e até tiveram queda acentuada (menos US$ 2,1 bilhões), na última semana. Quer dizer: está havendo expansão econômica sem descontrole monetário que, se ocorresse, poderia levar – segundo os teóricos “monetaristas” – à necessidade de o Banco Central segurar o crédito, elevando as taxas de juros, para evitar nova recaída na inflação.



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