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  Contradições do governo Reagan

Jornal Folha de S.Paulo , quinta-feira 31 de março de 1983


O FMI e os credores internacionais vêm recomendando que países endividados, como o Brasil, congelem temporariamente seus planos de industrialização (que exigem importações) e se concentrem na expansão da agricultura. Nesse setor, afirmam, há necessidade de menores investimentos, o retorno é mais rápido e, além disso, é nele que os países em desenvolvimento têm melhores condições de produzir a preços competitivos com os países desenvolvidos, por disporem largamente de terras e mão-de-obra.

Esse último aspecto - competitividade - é também destacado há muitos anos pelos próprios países em desenvolvimento que, em fóruns internacionais, vêm protestando contra os subsídios que os EUA e a Comunidade Econômica Européia concedem a seus agricultores, impedindo a concorrência dos países pobres, no mercado de determinados produtos. Ou, ainda, arruinando a produção interna - caso do trigo - nesses países pobres, por força da concorrência de importações a preços artificialmente baixos (subsidiados).

Ao criticar a política agrícola dos subdesenvolvidos, o governo Reagan - pela boca do secretário Block - finge ignorar todos esses dados. Como finge ignorar - no afã de exportar mais - que procurar a auto-suficiência, mesmo que a custos elevados, passou a ser uma imposição no caso de países endividados como o Brasil, por causa do problema da dívida externa. A produção interna, mesmo cara, poupa dólares. "By the way": o governo Reagan estabeleceu preços elevadíssimos, muito acima do mercado mundial, para estimular a produção de açúcar em seu país, em lugar de importar o produto mais barato de países como o Brasil. Mr. Block acha isso certo, do ponto de vista econômico?



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