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  Para Conceição, a política econômica aprofunda crise

Jornal Folha de S.Paulo , domingo 16 de maio de 1982


Durante duas horas e meia ela ironiza, esbraveja, xinga, mãos crispadas no ar ou a desferir gestos de indignação e acusação contra as “loucuras” da política econômica, e, “principalmente, contra as idéias ultrapassadas da direita ou da esquerda brasileiras, os chavões eternamente repetidos, a impedir avanços políticos ou sociais. “Os salários estão provocando inflação? Santo Deus!

Ouço essa baboseira há décadas! No tempo do Juscelino já se procurava uma causa para a inflação e, vapt!, começou aquela história do pensamento conservador falar em “delírio salarial” e nos gastos com Brasília. Será que ninguém via que a inflação brasileira era alimentada pela compra de café, pela política de garantia de preços ao produtor, com o mercado mundial em baixa, exigindo emissões? Será que ainda hoje se tem a coragem de procurar um bode expiatório para a inflação, e novamente jogar a culpa no lombo dos trabalhadores, dos salários?” Às vezes, ela deixa de lado sua Guerra à “burrice conservadora, e aí se comove e se ilumina, a falar de democracia, da vocação do povo brasileiro para a liberdade, ou ao definir, belamente, o que entende por civilização: “é como um povo se defende e sobrevive sem morrer.”

Figura carismática, mas com um carisma baseado no saber — que nem os adversários lhe negam — Maria da Conceição Tavares investe contra as figuras carismáticas da área política, “que não podem dar certo, fazer bem ao Pais. Nem o padre Cícero no Nordeste, nem quem quer que seja, no ABC: o povo precisa de organização política, não de messias”. Desmentindo o rótulo de “catastrofista” que lhe tentam impingir nas áreas governamentais, a presidente do Instituto dos Economistas do Estado do Rio de Janeiro aponta saídas para a crise econômica do Pais, “desde que se mude tudo que está aí, pois está tudo errado. Esforço exportador, recessão, política monetária, contenção de investimentos, tudo errado. O Brasil está seguindo a cartilha dos banqueiros internacionais, a cantilena dos EUA — e somente não estão em crise, no mundo, os países que se recusaram a seguir esses conselhos, como o Japão e a França. Olha aí a Argentina, olha o Chile, olha aí o México, olha aí a Inglaterra. Tudo em crise. O governo brasileiro está analisando a situação internacional com base na realidade que existia na década de 70. Acontece que ela já foi para os ares, explodiu, acabou — pufff! O País tem que adotar soluções próprias, como o Japão fez, a França fez”. Tecnicamente, diz ela, Isso é possível. Politicamente, dependeria da reorganização política da sociedade, com um empresariado forte, um Estado forte e um operariado forte. Juntos, pelo diálogo, poderiam chegar ao consenso sobre os reajustes a fazer na economia, para superar a crise, estabelecendo o preço que cada um pagaria — e durante quanto tempo, “ficam aí falando essa bobagem, que o Japão saiu da crise porque exporta. O Japão saiu da crise porque reorganizou sua economia, não aceitou o caminho da recessão preconizado pelos banqueiros e pelos EUA — adotou medidas duras com o consenso da nação”, lembra Maria da Conceição Tavares, em palestra que realizou na última quarta-feira na Fundap — Fundação de Amparo à Pesquisa, em São Paulo.

A utopia liberal de um “mundo ordenado”

A década de 70 trouxe profundas transformações mundiais, que os defensores do “pensamento conservador” acreditaram poder usar em seu proveito. Ela marcou o fim de hegemonia dos EUA — (franze o nariz, chistosamente) estão aí as Malvinas, não é preciso dizer mais nada, e o fim da hegemonia da URSS, que já começara nos anos 60. Ela marcou também o fim da hegemonia do dólar, substituído pelos empréstimos internacionais: Nova York passou a não mandar mais nada, os Bancos Centrais dos diversos países passaram a não mandar mais nada. (Incisiva, batendo as mãos, uma contra a outra). Os bancos centrais fazem filigranas, tomam medidas, mas quem manda mesmo são os banqueiros, reunidos em Basiléia O declínio das grandes potências, a ascensão dos multinacionais e dos banqueiros internacionais criaram o sonho da “internacionalização” ou “transacionalização” da economia mundial Sonhou-se em “ordenar o mundo”, ressuscitando-se de forma exasperada, as chamadas idéias liberais: os transnacionais preconizavam ações “contra o Estado nacional, contra a ideologia e pela liberdade dos negócios” (vale dizer, condenando as políticas adotadas pelos diversos países para disciplinarem o ingresso de capitais estrangeiros, ou proteger a indústria nacional etc). A própria detente, o descongelamento das relações entre os EUA e a URSS nasceu dessa visão de mundo. Com elas, as multinacionais poderiam espraiar-se, como ocorreu, para os países da área socialista. Da mesma forma que as empresas alemãs, francesas e japonesas, além das norte-americanas, “iam modernizar o mundo”, levando tecnologia, investimentos (sorriso irônico) a todas as partes do mundo. As multinacionais e os bancos se consideravam “cidadãos do mundo”, e o mundo ia transnacionalizar-se, o Estado ia acabar. Era a utopia “internacionalista”, uma utopia igual a socialista. Mas o mundo não serve para utopias.

A crença histórica na “sabedoria do mercado”

Acontece que tudo isso já foi pelos ares o mundo arrumadinho, ordenado, sem Estado, sem ideologias, imaginado pelas “transatlânticos”, espatifou-se. No Irã. No Caribe. Na África (expressão comovida), essa África de sorte cruel, dilacerada, problemática, a procurar seus caminhos. Na Polônia. Na América Latina, nas Malvinas. A ordem mundial embananou, a utopia acabou. No plano econômico, o desastre dos transnacionais foi ainda mais gigantesco, embananando também a ordem econômica mundial. A crise de energia exigia que as economias fossem recicladas, que a indústria e os métodos de produção fossem revistos. Mas (esbravejando) as idéias liberais malucas rejeitaram o planejamento, seus propagadores acreditavam que o problema seria passageiro, tudo se arrumaria. Em 1974, conversei com o Simonsen, perguntando: mas vocês não vão fazer nada? Não vão reciclar a economia? Ajustá-la à nova realidade? O Mário dava sorrisinhos e me dizia: “Você, Conceição, sempre catastrofista. Tenho estado nos EUA, no Exterior, está todo mundo tranqüilo, as coisas vão se ajustar em breve.” As idéias liberais malucas diziam que os países deviam apenas conter temporariamente o crescimento da sua economia, para reduzir a conta petróleo, e logo a situação voltaria à normalidade. Essas idéias — recessivas agora aplicadas no Brasil — somente não foram seguidas pelo Japão e pela França, países tradicionalmente independentes em relação à influência norte-americana, e onde os bancos são controlados direta ou indiretamente pelo governo. Lá, o governo decidiu reorganizar a economia, e obrigou os bancos a bancarem essa política, ao contrário dos países que esperaram que o mercado ajustasse tudo.

Os efeitos danosos de uma estratégia errada

A crença na eficácia dessas idéias conservadoras, contrárias ao planejamento, ao Estado orientando a reorganização da economia, e impostas ao mundo pelos “transnacionais” é responsável pela crise econômica mundial dos dias de hoje. Veja-se a Inglaterra, que tem petróleo, tem uma moeda forte — e está em uma longa recessão. Veja-se a Argentina, o Chile, o México. E olha aí a dramática situação dos EUA, que não reorganizaram sua economia, não se ajustaram. A indústria norte-americana, ainda a maior do mundo, tem enorme peso na definição dos rumos da economia internacional. E ela está superada, obsoleta, quanto tempo levará agora para “ajustar-se”? (Brava) E ajustar-se como, se o ator que foi parar na Casa Branca é um adversário ferrenho do planejamento, espera que “o mercado resolva tudo”? Além do problema da indústria, a própria adaptação da economia dos EUA, em termos globais, aos novos tempos, é problemática: o pouco que Carter havia feito nesse sentido, para enfrentar a crise de energia, foi destruído pelo cow-boy, que esvaziou completamente o Ministério da Energia, e extinguiu outros órgãos que cuidavam de setores específicos dessa área. O Brasil não pode seguir essas loucuras, tem que procurar caminhos próprios. Que burrice é essa de fazer uma recessão somente para resolver o problema da balança comercial? E o que se perde com ela?

“Dez ou doze países em pior situação que nós”

Andam dizendo que a situação do Brasil, aos olhos dos banqueiros mundiais, melhorou. (Riso, franzir de nariz). Bom, eu acho que realmente nós já não somos a maior preocupação dos banqueiros internacionais, não porque melhoramos, mas porque agora há uns dez ou doze países em situação mais grave que a do Brasil. A ordem financeira internacional, sonhada pelos banqueiros, também está embananada. Quando os países exportadores de petróleo começaram a ter superávits, após a elevação de preços em 1973, o Fundo Monetário Internacional quis cuidar da “reciclagem” desses petrodólares (isto é, quis atuar como um grande banco, que usaria os depósitos dos países exportadores para financiar, dentro de determinadas condições, a todos os países membros). (Esbravejando)... mas aí vieram os banqueiros internacionais, com as idéias conservadoras: “que é isso? e onde fica a livre iniciativa? Nós é que temos que cuidar disso: o mercado saberá alocar (destinar) os recursos de forma conveniente...” O resto da história está aí, para quem quiser ver: taxas de juros elevadíssimas, países falidos, o mundo falido, comércio internacional em queda. Falta de recursos para investir, e falta de oportunidades para as empresas realizarem investimentos: pela primeira vez em sua história, os EUA, no ano passado, a entrada de capitais, nos EUA foi superior às saídas. Por quê? Porque suas multinacionais não encontraram oportunidades para investir, no mundo. Os bancos só não quebraram, até agora, porque hoje eles atuam “em cartel”: mês a mês, eles verificam a situação de cada país e, quando a situação de uma começa a agravar-se, prevendo-se que ele não poderá continuar pagando os compromissos da dívida, faz-se o que se chama de “homogeneização de risco” (isto é, a dívida daquele país é diluída entre grande número de bancos para que, no caso de suspensão dos pagamentos devidos, os bancos inicialmente credores não quebrem). É assim que os banqueiros internacionais vêm agindo. Os bancos não quebrarão — mas, em compensação, a economia mundial continuará sob a ditadura idiota de suas idéias loucas. Bem entendido: não quebrarão, se a recessão mundial não se prolongar demais.

Japão nega recessão para superar a crise

Foi-se o padrão de “ordenadamento do mundo”. Foi-se o “padrão dólar”. Está aí a crise norte-americana. Esta aí a crise financeira internacional, (Veemente, mão direita estendida no ar, a apontar para o auditório). Os banqueiros, esse “bando de piranhas”, pregam o recessão para que “o mercado” ajuste tudo. O Brasil segue. Tem até uns malucos (sempre veemente) falando em “sucatear” a industria nacional, porque ela estaria superdimensionada, porque ela estaria obsoleta, a crise do petróleo exigiria ajustes como os feitos no Japão, na França. “Sucatear”? “Só se for... (o palavrão não se materializou, apenas insinuado pelo largo abrir de braços).

O Brasil precisa é de uma estratégia global, de longo prazo, para ajustar sua economia. (Batendo compassadamente na mesa, a cada afirmação). Não pode continuar esperando, loucamente, que a situação mundial melhore, para agir. (Sarcástica, exasperada:) Falam em exportar, em (debochada) “export drive”, esforço exportador, como o Japão. Que export drive? O Japão não está na posição que está, como dizem bobamente “porque exportou”. O Japão ajustou tudo. Reformulou sua economia. Criou uma indústria nova — dentro de uma política clara de estrutura de custos, renda e salários. Cada um pagou o seu quinhão, até que a prosperidade viesse. Os bancos foram obrigados a financiar o que o governo desejava, não tinha essa idéia maluca de “o mercado resolve”, essa velharia das idéias liberais-conservadoras. O Japão é um caso especial de neocapitalismo, um pais que nunca aceitou o investimento estrangeiro, que fechou seus mercados às exportações dos outros países — e que conseguiu exportar e crescer no pós-guerra porque os EUA e seus aliados o ajudaram. Os EUA foram “bonzinhos” com o Japão, e com a Alemanha, porque queriam “aliados” fortes nas fronteiras com o mundo socialista, nas fronteiras da China e da URSS. O Japão nunca adotou as idéias liberais do capitalismo, como os banqueiros internacionais e os EUA hoje impingem ao mundo. (Pausa), (irônica).

Dizem que o Brasil conseguiu êxito no seu “export drive”, no seu esforço exportador. O Japão, porque se reorganizou, pôde “romper mercados”, conseguiu ganhar mercados, derrotar a concorrência, com seus preços. Que história é essa de “export drive” brasileiro? Nos não conseguimos “romper” nenhum grande mercado. Nós fomos exportar para os outros países em desenvolvimento, para a África, a América Latina — que agora também estão em crise, fechando-se. É preciso parar com essa besteira, de acreditar que a exportação resolverá tudo. É preciso reorganizar a economia. Até para exportar.

“Nem Friedman defende política como a nossa”

O exercício do poder no vazio, sem contestação, autocrático, emburrece as pessoas. (Tom sereno:) Mesmo quem já foi inteligente fica debochado, não acredita em nada, não ouve nem mesmo as objeções dos próprios amigos, empurra com a barriga. (Veemente:) Nem o Milton Friedman, um dos maiores patronos das idéias liberais que estão por aí, defende uma política monetária tão maldita quanto a adotada no Brasil. Da política cambial, nem se fale: o Brasil está agindo como se fosse um país de moeda forte, uma burrice, nem em Nova York se age mais assim (porque o centro financeiro internacional já não está nos EUA, mas em Basiléia). Se a política que está aí não for mudada (apaixonada:) haverá a destruição do capital, a destruição do trabalho, a destruição dos empresários nacionais. Será um salve-se quem puder. Virá o achatamento salarial. O espatifamento cultural.

A economia brasileira, como em outros países ocidentais, esgotou a fase dos ganhos de escala, das linhas de montagem. Temos que procurar alternativas. Elas existem. O Estado tem que investir em transporte e energia, criando com isso alternativas para a indústria de material de transporte, alternativas para o setor de bens de capital, alternativas para as construtoras. E deve obrigar os bancos a financiar os programas: (Irritada:) Mas, quando se faz uma proposta, lá vem a baboseira das falsas idéias liberais, a condenação ao planejamento e à atuação do Estado. As velhas afirmações de que isso provoca inflação. Para esse pensamento anacrônico, velho, é sempre “o Estado” e “os salários” que provocam inflação, no Brasil. Já no tempo de Juscelino se dizia isso.

...Mas, meu Deus! É só ver o peso dos salários nos custos das indústrias, de 8%, para ver que isso não é verdade. Ninguém se lembra de que inflação é “custos”, ninguém se lembra de olhar a formação de custos no Brasil, para verificar a causa da inflação. Os banqueiros mandam vetar os juros, soltar os preços, os juros vão a 140% ao ano, e, depois, quem é culpado pela inflação? Os salários! Ora, assim não dá.

(Irônica:) A burrice da política que está ai pode ser medida por este fato: o governo não quer emitir, porque, dizem as teorias “liberais”, isso provoca inflação. Então, uma surpresa estatal — de eletricidade por exemplo — precisa de dinheiro para tocar suas obras. O governo manda ela tomar empréstimos em dólar, o Banco Central troca os dólares por cruzeiros, e lança o seu débito numa conta. Aí, o Banco Central, como entregou os cruzeiros e não os recebeu de volta, emite — para depois recolher esse dinheiro através da venda de títulos do Tesouro, que justificam a elevação dos juros no Pais, sustentando a inflação e a recessão. Mais ainda: para pagar o empréstimo, a empresa precisa de receita — e então suas tarifas são majoradas, provocando inflação. E essa inflação exige maior volume de dinheiro em circulação, isto é, emissões, do mesmo jeito. Pra que tantas voltas, gerando inflação, endividamento da União, endividamento externo? É muita burrice, céus.

Soluções econômicas passam pela política

O Brasil não resolverá a questão agrícola, a questão rural, a questão urbana, se não for revista a relação entre o Estado, os empresários e os trabalhadores. Hoje, temos um empresariado com poder de pressão mínimo, um movimento operário na defensiva, e uma burocracia acuada, insegura, impotente. O País precisa “se refazer”. A pergunta é: como chegar lá? Todas as mudanças tentadas ou ocorridas no Brasil sempre encontraram enorme resistência, por parte de grupos que se recusam a pagar o preço da transformação (emocionada.) Não estou pessimista, porém, o País melhorou muito. Há quem critique a “globalização” do País, pela TV. Isso é ranço elitista, a esquerda brasileira às vezes se recusa a ver a realidade. Houve “globalização”, mas o nível de informação da população em geral melhorou, a sociedade melhorou.

Olha (sorrindo) eu ando pelas ruas, eu vou a um bar, e as pessoas se aproximam, perguntam, “a senhora não é aquela economista, não quer me explicar essa história de inflação, de dívida?”. Imaginem (ar feliz): é o povo, as pessoas comuns, interessadas, informadas — pois se não estivessem, não quereriam “saber mais”. (Enternecida:) Essa abordagem é mais significativa do que pode parecer a muitos. Para mim, é uma medida da “liberdade” que o brasileiro se dá, da “democracia” que ele traz em si. É isso que vejo na sem-cerimônia de interpelar um especialista, um intelectual, sem medo de estar incomodando: (rindo): Já pensaram que isto nunca aconteceria em Londres ou Nova York?

A crise norte-americana é difícil de resolver, porque a sociedade norte-americana não sabe o que é, está em crise de identidade, ontem elegeu um garoto bonzinho (Carter) que defendia os direitos humanos, hoje elege um “duro”, aquele vaqueiro do Texas. No Brasil, o povo não tem tantas frustrações, tantos conflitos como em outros países porque — entendam-me bem — ele é irreverente, nunca acreditou muito no que lhe é prometido, nunca acreditou muito no que lhe é dito. O Brasil “começou” a existir no século 17, não temos muita crença no capitalismo, não temos muita crença no socialismo. (Tranqüila): Podemos procurar nossos próprios caminhos. Minha esperança é que, após as eleições de novembro se plasme uma nova aliança entre empresários, trabalhadores e Estado, abrindo caminho para a rearticulação da sociedade brasileira. Sem ela, a reorganização econômica será inviável.



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