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  O Brasil contra o muro

Jornal Diário Popular , sexta-feira 8 de outubro de 1999


O FMI e os países ricos exigem que o Brasil e outros países em desenvolvimento deixem os capitais estrangeiros entrarem e saírem livremente em seus mercados. Quando esses países quebram, exatamente por causa desse modelo chamado de neoliberal, o que o FMI e os países ricos exigem? Que os pobres países quebrados ofereçam vantagens para “atrair” dólares.

Qual é a principal dessas vantagens? A oferta de juros altíssimos, “os mais altos do mundo”, como você cansou de ver e ouvir falar. Nada de aumentar impostos (que foram rebaixados demais) sobre as importações, ou tentar impedir que os dólares especulativos “fujam”. Isso é proibido, é “controle do governo”, contra a “liberdade do mercado”. A receita é: “manter os juros lá em cima”. O resultado é: mais dívida para o tesouro, menos dinheiro para enfrentar os problemas sociais, mais recessão, mais desemprego, mais miséria.

É como se o FMI e os países ricos dissessem: “Vocês erraram, agora têm que pagar o preço”. O engraçado da história é que os países quebrados são tratados como “pecadores”, com o FMI e os países ricos esquecendo-se de que, se houve pecado, foi exatamente por ordem deles. E é isso que fica claro na entrevista que o economista John Williamson concedeu ao jornalista Fernando Canzian, já citada nesta coluna. Apontado como o “pai” do programa neoliberal aplicado no Brasil e na América Latina, Williamson diz, como se não tivesse nada com isso, que a liberdade para os capitais entrarem e saírem acabam criando distorções, e semeando a crise.

Vamos ouvir Williamson: quando um governo libera a circulação dos capitais, os cidadãos ricos daquele País aproveitam para comprar dólares do próprio governo e mandar seu dinheiro para fora (inclusive Caixa-2, lucros sonegados etc.). Resultado: o País acaba ficando sem dólares, e aí o governo é obrigado a atraí-los de volta. Para isso, oferece vantagens, como os juros altos. Ou a redução de impostos para os dólares aplicados aqui – e que nada mais são que os reais que os ricos haviam mandado para fora.

Em resumo, diz Williamson: a liberdade para a circulação de capitais reduz a arrecadação, provoca recessão, quebra o Tesouro com os juros, etc. Tudo isso aconteceu no Brasil. Estatísticas do próprio Banco Central mostram que nada menos de 35 bilhões (com b, mesmo) de dólares de cidadãos brasileiros (ricos, obviamente), estavam aplicados em apenas dois paraísos fiscais (onde não se paga impostos). Veja bem: em apenas dois deles, sem falar na Suíça, EUA, Inglaterra e adjacências. O que o Congresso Nacional vai fazer depois da confissão de Williamson? Deixar o governo FHC manter o acordo com o FMI e a mesma política que destruiu a economia nacional?



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