Jornal Diário da Manhã , sexta-feira 26 de agosto de 1983
O PESO DO MÉXICO – Além de não utilizar um crédito de US$ 1,1 bilhão já aprovado pelos banqueiros internacionais, o México pagou, esta semana, quase US$ 1,0 bilhão de empréstimos concedidos em caráter de emergência, no ano passado, pelo Tesouro norte-americano e pelo BIS, o banco central dos bancos centrais, com sede na Suíça. O desempenho do México, ajudado pela reação do petróleo no mercado mundial, coloca mais recursos nas mãos dos banqueiros e do BIS, reduzindo também a histeria em torno de uma possível “quebradeira mundial”. Sob esse aspecto, a situação mexicana facilita as conversações do Brasil com os credores. Mas torna ainda mais remota a possibilidade de um “cartel de devedores”, ainda defendida por alguns economistas brasileiros.
AÇÚCAR AJUDA – Segundo o Ministério da Agricultura dos EUA, a próxima safra mundial de açúcar cairá de 99,0 milhões de toneladas, este ano, para 95,0 milhões de toneladas, no próximo. Isso não seria motivo para uma alta dos preços mundiais, pois há gigantescos estoques do produto, de quase 50 milhões de toneladas. Mas as cotações vão subir, porque os especuladores se aproveitam de notícias como essas para grandes “jogadas” nas bolsas internacionais. Bom para o Brasil, que vai faturar mais dólares na venda do produto, já nestes próximos meses, ajudando sua balança comercial.
AÇÚCAR AJUDA II – Os preços do açúcar haviam caído violentamente no mercado mundial, nos últimos dois anos. Com isso, o governo brasileiro vinha subsidiando largamente as exportações do produto, comprando-o dos usineiros e vendendo a um preço muito mais baixo, lá fora. Em 1983, esses subsídios iriam a nada menos de Cr$ 300 bilhões. Com a alta internacional, a diferença entre os preços interno e externo diminuirá, reduzindo os subsídios. Uma ajuda para conter o déficit do governo, como é exigido pelo Fundo Monetário Internacional.
ARRECADAÇÃO AJUDA – Outra contribuição para reduzir o déficit do setor público, tornando mais fácil atingir as metas do FMI: o aumento da arrecadação federal, que chegou a 140% até julho (Cr$ 5,5 trilhões arrecadados).