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  Quem é bonzinho com FHC

Jornal Diário Popular , domingo 5 de setembro de 1999


Peça a um chefe de família ou a uma dona de casa para fazer o seu orçamento mensal. Eles, obviamente, vão escrever, numa folha de papel, todas as despesas que a família tem como aluguel ou prestação da casa, condução, escola, material escolar, remédios, supermercado etc. Eles também vão escrever, na mesma folha de papel, todos os tipos de salários, rendimentos que o pai, a mãe e até os filhos costumam ganhar durante o mês. Isso é: para uma família saber o que ela pode gastar sem ficar endividada até raiz dos cabelos e aí não poder pagar mais nada, ela precisa montar um orçamento onde apareçam, além das chamadas receitas (ou dinheiro que se recebe), também todas as despesas.

É uma coisa sabida até demais, não é mesmo? Pois é. O orçamento de um País é igualzinho ao de uma família. Precisa prever todas as despesas e todas as receitas, para o governo saber se o País não está ficando com uma dívida grande demais, uma dívida monstruosa que não poderá pagar, assustando os banqueiros e credores internacionais que costumavam lhe emprestar dinheiro, ou comprar seus "papagaios". No caso do Brasil, quando o governo Fernando Henrique fez o acordo com o FMI, aconteceu um verdadeiro mistério. O FMI, que é considerado o banqueiro mais "duro", mais cruel do mundo, permitiu que o Brasil, ao fazer o cálculo do "rombo" do governo, isto é, a diferença entre as despesas e as receitas, deixasse de lado, não "escrevesse", nessa espécie de orçamento, as despesas com o pagamento de juros.

Uma loucura, pois os juros são, exatamente, os maiores gastos do governo hoje em dia, com uns R$ 8 bilhões por mês — ou o dobro, atenção, de tudo o que é gasto com o funcionalismo federal mensalmente. Veja bem: é a mesma coisa que um chefe de família ou dona de casa fazer um orçamento — e deixar de fora exatamente os maiores gastos. É claro que em pouco tempo a família estará endividada, quebrada, sem condições de arrumar novos empréstimos para sobreviver. É exatamente o que está acontecendo com o Brasil. Quando você vê ou ouve, na imprensa, declarações otimistas dizendo que o Brasil está “cumprindo" as metas do FMI, "e o Real está salvo", pode dar risadas da palhaçada. Como você sabe agora, o FMI falsificou metas para o governo. Por que o FMI é tão bonzinho com o presidente? Porque ele quer ajudar o governo a sobreviver mais uns meses, e continuar entregando, às multinacionais, o petróleo, as usinas elétricas, o Banespa, o Banco do Brasil — tudo a preço de banana.

Só que, na prática, essa falsificação não está adiantando nada: os banqueiros e credores estrangeiros conhecem os dados de realidade, e sabem que o Brasil está afundando, ou melhor, já está afundado, incapaz de pagar os juros que vão vencendo todos os meses. Por isso o Real está despencando. De nada adiantam as metas sem-vergonha do FMI.



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