[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  Faltou dizer

Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 31 de agosto de 1983


OS JUROS SEMPRE – na segunda-feira, o Banco Central colocou em leilão Cr$ 200 bilhões em LTNs – Letras do Tesouro Nacional. Antes do leilão, as instituições financeiras encaminham propostas para compra desses títulos, oferecendo as taxas que desejam pagar. Total das propostas: Cr$ 2,0 trilhões. Quer dizer: ou os bancos estão com os cofres cheios, ou estão com facilidade para captar dinheiro no mercado, do contrário não se disporiam a comprar Cr$ 2,0 trilhões em títulos. Moral da história: é para acreditar mesmo que as taxas de juros não caem por que o crédito está escasso? É para acreditar que não há dinheiro para emprestar às empresas porque “está difícil captar”? Ou o problema é o Banco Central parar de sustentar a especulação no “open market”?

INFLAÇÃO MENOR – sem expurgo, a inflação de agosto ficará entre 9% e 10%. Ainda elevadíssima, e concentrada na área da alimentação. De qualquer forma, em termos de tendência, o resultado representa um avanço em relação a julho, com mais de 13%. Numa economia em que predomina a correção monetária para tudo, essa diferença de 3% é importante, em termos de “inflação para o futuro”. O resultado menor de agosto (mesmo sem o odioso “expurgo”) influenciará os reajustes de preços industriais, salários, aluguéis, isto é, pode puxar a inflação para baixo. Neste momento, a tendência está sendo reforçada pelo comportamento dos preços do feijão, arroz e milho, que, após um mês e meio de alta, entraram numa fase de estabilidade, nos últimos dez dias. Também a soja (e o óleo e o farelo usado para ração), após uma louca “disparada”, pode apresentar recuo em seus preços, pois finalmente choveu nas regiões produtoras dos EUA (a seca vinha destruindo plantações) e as cotações internacionais começaram a cair.

FOGO A APAGAR – foco inflacionário no momento: os preços da carne. O governo autorizou a importação de 100 mil toneladas do Uruguai, para os frigoríficos industrializarem e reexportarem. As negociações malograram. Agora, a Cobal poderá incumbir-se da importação, para brecar os preços aqui.



Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil