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  Lideranças suicidas, banco assassinado

Jornal Diário Popular , terça-feira 21 de setembro de 1999


As vendas nos supermercados desabaram nada menos de 9% em agosto. O desastre, noticiado discretamente, desmente totalmente as declarações otimistas dos líderes do setor, ao longo de todo o mês passado. Isto é, enquanto a crise se aprofundava até para os estabelecimentos que vendem basicamente comida, suas lideranças semeavam declarações cor-de-rosa. No outro extremo, o que está acontecendo com os chama dos bens de consumo duráveis, como os eletroeletrônicos, de televisores a equipamentos de som? Um porta-voz do IEDI, Instituto empresarial que surgiu para "brigar" pelo desenvolvimento da indústria, diz que a queda este ano chegará a nada menos de 35%, um novo recorde negativo após dois anos seguidos de recuo, com menos 23% em 1997 e, novamente, menos 10% em1998. Em poucas palavras, a indústria de eletroeletrônicos está produzindo hoje uns 60% a menos do que em 1996, isto é, quem produzia 100 aparelhos hoje mal chega aos 40...O que diz o porta-voz do IEDI após revelar todos esses números? Mostra preocupação com as empresas e os empresários do País? Não. Tem palavras tranquilizadoras, repete o discurso cor-de-rosa governista, de que "o segundo semestre será melhor, abrindo caminho para a recuperação no ano 2000". Quanto mais se olha o tamanho do abismo em que as empresas e os trabalhadores estão afundando, e se compara esse abismo com as declarações otimistas das lideranças empresariais, mais cresce a sensação de que algo — profundamente estranho está acontecendo no País. Como explicar esse comportamento, se os próprios líderes são também empresários, e portanto devem estar igualmente prejudicados pela política econômica dos últimos anos? A única motivação seria mesmo dar um "apoio psicológico, criar um clima menos desfavorável ao governo", mesmo quando vêem que a casa está desabando, e a situação social caminha para um ponto de ruptura? Ou, ao contrário, seria possível supor que essas lideranças atuam em setores favorecidos pelo governo, como — por exemplo — empréstimos privilegiados do BNDES? Em qualquer um dos casos, é evidente que a massa empresarial, pretensamente representada por esses líderes, tem o direito de questionar esse otimismo que está levando a todos rumo ao desastre. Se não exigirem definições claras de suas entidades, com abandono do capachismo atual, os próprios empresários estarão assumindo a condição de suicidas. Candidatos à "quebradeira" ou a virar a presa de grupos multinacionais.

Banco assassinado — agência do Banco do Brasil na avenida Paulista, centro financeiro paulistano: longas filas de clientes, dois caixas para atendê-los. Agência do BB na Brigadeiro Luiz Antônio, nos chamados Jardins: dois caixas para atender o público, espera de uma hora. Agência do BB no Itaim Bibi, centro comercial: dois caixas para atender o público, idem ibidem. Ao lado delas, agências de bancos privados com 10, 12, 14 caixas. Não é criminoso quem destrói um banco que deveria dar lucro ao Tesouro, vale dizer, é um patrimônio público?



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