Jornal Diário Popular , segunda-feira 19 de junho de 2000
No ano passado, o governo federal reteve as verbas para o combate ao crime e liberou a vergonhosa ninharia de R$ 33 milhões para todo o programa de segurança — incluindo gastos para equipar a Polícia Federal, construir presídios, investigar o narcotráfico etc. Você quer uma comparação, para saber o que significa essa porcaria de R$ 33 milhões? É simples: o governo FHC está devorando o Tesouro com pagamento de R$ 10 bilhões em juros sobre a sua dívida, por mês. Agora, faça a divisão dessa cifra por 30 dias, para saber quanto esses R$ 10 bilhões significam por dia, e pronto: são R$ 330 milhões em juros — por dia, pagos não apenas a banqueiros, mas também a grandes empresas e grandes investidores que compram ‘‘títulos’’ da dívida do governo. Faça você mesmo a comparação: R$ 330 milhões em juros por dia, contra R$ 33 milhões para combater a violência, em um ano. Ou dez vezes mais em juros, por dia, do que os gastos contra a criminalidade, por ano. Qual é realmente a prioridade do governo FHC? De que adianta, de tempos em tempos, o presidente Fernando Henrique Cardoso dar entrevistas à imprensa, roncando aquela história de que ‘‘a sociedade não agüenta mais tanta violência’’, ou ‘‘a sociedade não agüenta mais tanta corrupção’’ — como fez agora, pela milésima vez em seus seis anos de governo, após o episódio do sequestro do ônibus e morte de duas pessoas no Rio?
Quem tem maior importância para o governo FHC, os banqueiros ou a população? Basta comparar as cifras, para ter uma resposta. Mas é preciso ir mais além. É preciso ir buscar as causas da situação que o Brasil está vivendo. Não é apenas o combate à criminalidade, ao narcotráfico, que sofre violento corte nas verbas. Falta dinheiro para a criação de empregos, a educação, a cesta básica e o combate à miséria. Falta dinheiro, em resumo, para melhorar a qualidade de vida, ou a sobrevivência de milhões de famílias de baixa renda, condenando seus filhos à marginalidade e à criminalidade. Indo mais longe: na origem de todo esse quadro infernal estão a política do governo FHC e o acordo com o FMI e países ricos, que exigem que o Tesouro continue a pagar juros altíssimos, levando-o a cortar brutalmente todas as suas outras despesas que interessam à população.
Quem está alimentando a violência, formando gerações de marginais/marginalizados, semeando a morte é o acordo com o FMI. Tudo o mais é conseqüência — uma realidade que a grande imprensa e jornalistas chapa-rosa insistem em ignorar.