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  Importação e desemprego

Jornal Diário Popular , quarta-feira 5 de julho de 2000


Responsáveis pelo fechamento de fábricas nacionais e aumento do desemprego, as importações de peças e componentes continuam a crescer, e acusaram avanço de nada menos de 25% sobre 1999, em junho último. O setor eletrônico, sozinho, vem provocando um ‘‘rombo’’ na balança comercial brasileira da ordem de US$ 2 bilhões por trimestre — fato sempre escondido pelas notícias otimistas, que falam apenas das vendas de celulares etc. que o setor vem fazendo ao Exterior... A distância entre as projeções cor de rosa do governo e a realidade é tão grande, que o crescimento previsto para as importações de peças e componentes era de apenas 2,7%este ano, isto é, praticamente dez vezes menos do que os resultados observados.

Mantendo o seu perigoso comportamento de Poliana, eterna otimista, a equipe econômica continua a apresentar explicações falsas ou distorcidas para o desempenho da balança comercial. Para as exportações, alega-se que houve grande aumento, de 17,5% na venda de manufaturados — omite-se, porém, que ele se concentra em cinco setores: aparelhos celulares (responsáveis por grandes importações de peças e componentes, deixando saldo nulo), automóveis, caminhões, aviões e móveis. Para automóveis e caminhões, o ‘‘avanço’’ é mera invencionice: representa apenas a recuperação das exportações que haviam despencado no ano passado, por causa da crise na Argentina e Venezuela. Quanto aos aviões, há obviamente um avanço da Embraer — que no entanto, também importa o equivalente a 60% do valor das aeronaves, em peças e componentes. E há, finalmente, a devolução — por falta de pagamento... — de aviões importados pela Vasp e Tam, no valor de US$ 400 milhões, e computados como ‘‘exportações’’.

O desempenho precário da balança comercial está deixando o Brasil sem os dólares de que precisa para quitar os compromissos no Exterior — e evitar que o real sofra novas desvalorizações. Mas ele somente será positivo quando o Brasil voltar a ter uma política de comércio exterior, e uma política industrial, que apóie a indústria nacional e ponha um freio nas importações de peças, componentes e até matérias-primas pelas multinacionais que têm comprado empresas brasileiras. Ah, sim, as explicações falsas do governo envolvem também os principais produtos agrícolas de exportação: café, açúcar, soja e óleo de soja. Para o café e açúcar, queda de 75%, as vendas estão despencando porque no ano passado o governo brasileiro, criminosamente, permitiu ou estimulou (negócios da China) exportações muito acima da capacidade de absorção do mercado, derrubando os preços. Para o café, foram 22 milhões de sacas, contra 16 milhões tradicionais; para o açúcar o salto foi de 70%. Quanto à soja e óleo de soja, há muitos meses sabia-se da superprodução mundial de óleos vegetais, este ano, incompetência ou otimismo delirante? Ou mentiras, mesmo?



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