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Jornal Diário da Manhã , sexta-feira 28 de outubro de 1983


TERRORISMO INFLACIONÁRIO – No momento em que os preços dos alimentos básicos aceleram a sua queda, a Comissão de Financiamento da Produção resolveu divulgar uma previsão pouco otimista sobre a próxima safra – o que pode reduzir o ritmo do declínio. Embora reconhecendo que houve grande aumento no plantio – “até nas beiras das estradas”, no Sul – a CFP previu para 83/84 uma safra de grãos da ordem de 51 milhões de toneladas, e não de 56 milhões de toneladas como vinha se estimando. Justificativa: a produtividade, isto é, a produção por alqueire, não deve ser muito alta, diz a CFP, devido a problemas na época do plantio, como falta de fertilizantes, falta de sementes melhoradas (obrigando o lavrador a utilizar grãos comuns, destinados à alimentação, para o plantio), crédito mais caro. É o que se pode chamar de “terrorismo inflacionário”, destinado a impedir que os alimentos fiquem mais baratos ao consumidor. A CFP deve saber muito bem – seus técnicos são pagos para isso, pelo povo – que todo esse “rosário” de problemas foi apresentado, meses atrás, para prever que a safra nacional de trigo deste ano sofreria grande redução. Agora, a safra já está colhida no Paraná, São Paulo, Mato Grosso. A produtividade foi recorde, a maior de todos os tempos. No Rio Grande do Sul – onde fica o maior “lobby” agrícola do País –, a colheita está em andamento, com resultados espetaculares até agora: 1500 kg por hectare, contra 950 kg na última colheita. Lógico que nada disso interessa aos “terroristas inflacionários” de Brasília.

JOGADA DELFINESCA? – Repetidas vezes, técnicos da assessoria do Ministro Delfim Netto negaram, nas últimas semanas, a possibilidade de queda nos preços dos alimentos – e, conseqüentemente, nas taxas de inflação. Até agora, com os preços já em queda, eles se recusam a proclamar esses resultados, provocando uma reversão na “expectativa inflacionária”, no País. Hipóteses para esse comportamento: a Seplan não quer falar na possibilidade de a inflação cair antes que o Congresso aprove o “achatamento salarial”, apresentado como medida necessária para alcançar aquele resultado.

DESPENCANDO – Nos EUA não tem CFP, nem Cacex, nem ministros interessados em permitir altas de 300 a 500% no preço dos alimentos. Resultado: a soja e o óleo de soja sofreram novas quedas na Bolsa de Chicago.



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