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  Livres afinal da maldição da Petrobrás

O governo reduziu os preços da gasolina e outros combustíveis. Aproveita para fazer elogios ao Real, à liberação de preços, à competição que traz vantagens ao consumidor. Aproveita, em resumo, para dizer à opinião pública que o monopólio tem sido um grande mal, que a Petrobrás se aproveitava dessa situação à custa do consumidor, tanto que “continuava a cobrar preços altos, apesar da queda dos preços internacionais do petróleo”.

No seu incansável trabalho de “lavagem cerebral” da sociedade brasileira, o Planalto aproveita para reforçar a falsa idéia de que a Petrobrás sempre foi uma maldição para o consumidor...

O que faltou ao governo dizer? Um dado cuidadosamente escondido nas entrevistas dos diretores capachildos da Petrobrás: durante anos a fio, nos cálculos dos preços dos combustíveis produzidos pela empresa estatal, as equipes econômicas lançavam, como preço do barril de petróleo extraído aqui no Brasil, apenas US$ 5 (cinco), isto é, quatro vezes menos o preço que a Petrobrás recebia pelo produto, no mercado internacional, de US$ 16 a US$ 20 o barril.

Em resumo, a Petrobrás não praticava abusos, ao contrário: deixava de ganhar, para vender mais barato ao brasileiro. O governo falou, falou, mas escondeu esse dado: para reduzir os preços dos combustíveis, qual o valor atribuído ao petróleo extraído no Brasil? Os mesmos US$ 5? Segredos.

Tem mais, porém. O governo também distribuiu tabelinhas para mostrar que os preços da gasolina, no Brasil, estão entre os mais altos do mundo. Mas o governo se “esqueceu” de mostrar que o preço é alto por causa dos impostos, subsídio ao álcool, altos lucros para distribuidoras e bombas de gasolina (postos). Como refinadora, a Petrobrás ficava com apenas oito centavos (para um preço ao consumidor de 59 centavos). Isto é, uma participação – em percentagem, note-se – três vezes menor que a fatia ganha pelas refinadoras, como a Petrobrás, dos países ricos...

Ah, sim – o governo também desconversou sobre o “calote”, que chegou a R$ 8 bilhões, que as equipes econômicas aplicaram na estatal. A Petrobrás pagou os subsídios do álcool aos usineiros, ano após ano, e não foi reembolsada pelo Tesouro, o verdadeiro devedor do subsídio. Não ficou claro, para a opinião pública, que os preços dos combustíveis não haviam sido reduzidos, acompanhando a queda internacional, exatamente para que a diferença servisse para reduzir a dívida do Tesouro.

Em outras palavras, tudo se passava como se o governo cobrasse a diferença, do consumidor, e depois a entregasse à Petrobrás, para quitar uma dívida antiga. Assim, note-se, a Petrobrás não estava tendo lucro “novo” nenhum com a diferença. E, sim, o próprio governo FHC, que, espertamente, joga a responsabilidade nas costas da Petrobrás e a indispõe com a opinião pública...

Telebrás

Nas manchetes, a afirmação de que o Tribunal de Contas da União não só aprovou como elogiou os preços fixados pelo governo FHC para a venda da Telebrás. Mas, lendo-se o noticiário inteiro em vários jornais, surge uma história muito diferente.

O TCU disse – exatamente como críticos haviam denunciado – que as duas consultorias internacionais que fizeram a avaliação cometeram “erros” graves, subestimando as receitas e superestimando as despesas que os novos donos teriam. Por isso, o TCU fez também uma recomendação de que, nas “próximas privatizações”, o BNDES acompanhe permanentemente os trabalhos das consultorias, para evitar distorções como essas...

O que o TCU elogiou, afinal? Ele elogiou apenas a “decisão” do governo de cobrar 20% acima dos preços sugeridos... O TCU deu-se por satisfeito com isso, apesar de reconhecer que os cálculos não eram confiáveis... Estranha aceitação, tratando-se da venda de empresas, patrimônio coletivo, que valem mais de US$ 100 bilhões... Quais as razões do TCU? Um estadista brasileiro, disse, em tempos de antanho, ser impossível mentir o tempo todo a todo mundo. O governo FHC consegue.


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