Jornal Diário da Manhã , domingo 4 de setembro de 1983
MAIS DÓLARES – a principal deficiência das análises econômicas no Brasil é que elas são “estáticas”, isto é, diz-se uma coisa no começo do ano e essa mesma “verdade” continua a ser repetida durante o ano todo, como se as situações não mudassem dia a dia, mês a mês – para pior ou para melhor, o que poderia ser detectado através do acompanhamento de dados e fatos. A crise cambial brasileira, a escassez de dólares, é hoje muito menos graves do que há meses atrás – graças, inclusive, ao desempenho da Petrobrás, e da política de substituição de petróleo. No começo do ano, previa-se que o Brasil consumiria em média 1,0 milhão de barris de petróleo por dia, dos quais 670 mil importados e 330 mil produzidos aqui dentro. No primeiro semestre, no entanto, o consumo já caiu para 946 mil barris/dia (graças ao maior uso do álcool, eletricidade e outras fontes alternativas), podendo-se acreditar que ele, hoje, esteja no máximo em 940 mil barris/dia. Além disso, a Petrobrás, na última semana, produziu 350 mil barris/dia, reduzindo a necessidade de importação a apenas 590 barris (940 menos 350), contra 670 mil no começo do ano. Uma diferença de 80 mil barris diários que, a US$ 28 o barril, em média, representa uma economia de US$ 2,24 milhões/dia, ou US$ 67,2 milhões por mês, ou US$ 270 milhões nestes quatro último meses do ano. E a produção da Petrobrás, e o uso de substitutivos, continua a avançar, o que significa que a economia continuará a crescer.
DESEMPREGO – o número de desempregados nos EUA caiu nada menos de 0,5% em julho último, equivalente a 500 mil trabalhadores que voltaram a suas funções, reduzindo o índice para 9,5% - abaixo das previsões de Reagan, que acreditava em 9,6% somente em dezembro. Em agosto, o índice permaneceu em 9,5% da População Economicamente Ativa – mas o número de trabalhadores empregados atingiu o mais alto nível da história dos EUA, com 101,5 milhões de pessoas trabalhando. Explicação para a aparente contradição entre esses dois dados: havia nos EUA cerca de 1,8 milhão de trabalhadores “desencorajados”, que haviam desistido de procurar emprego, no auge da recessão, e que por isso nem figuravam mais nas estatísticas da População Economicamente Ativa. Agora, com a recuperação, eles voltaram ao mercado de trabalho em agosto, surgiram 280 mil novos empregos nos EUA.