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  Inflação e estatísticas enganosas

Jornal Folha de S.Paulo ,


A alta da taxa de inflação, já detectada pela Fipe em São Paulo, não foi nenhuma surpresa, como afirmam uns e outros.

Era previsível, como esta coluna procurou alertar, mais uma vez. E a alta vai prosseguir, matematicamente, nas próximas semanas.

Conseqüências: perda ainda maior do poder aquisitivo da classe média e do povão _ e problemas sérios no mercado financeiro.

Matematicamente, também, se pode prever que o Banco Central vai voltar a distribuir dinheiro aos borbotões para socorrer "o mercado", dentro de algum tempo. Na verdade, socorro a grandes especuladores: instituições financeiras, empresas e pessoas.

Por que os índices de inflação vão continuar em alta? Analistas econômicos e equipe FHC parecem ter se esquecido de que as fórmulas usadas para calcular a taxa de inflação, no Brasil, apresentam uma distorção básica: elas demoram para incluir, nos cálculos, as altas de preços enfrentadas pelo consumidor.

Isto é, a taxa de inflação anunciada hoje na verdade se baseia em aumentos de preços já corridos há tempos.

No caso do índice paulista, a Fipe calcula taxas "quadrissemanais", isto é, compara os preços das últimas quatro semanas com os preços das quatro semanas anteriores.

Assim, se o preço do leite longa vida, por exemplo, ficou estável durante três semanas de abril, em R$ 1 real, e subiu para R$ 1,30 na última semana do mês, essa alta de 30%, já paga pelo consumidor, não vai aparecer no índice de inflação de abril, ele incluirá somente 7,5% ou a fração correspondente a uma semana.

Os restantes 22,5% entrarão na taxa de inflação de maio. Por isso, a taxa de inflação de 1,62% apurada pela Fipe para o mês de abril foi calculada em grande parte com base em altas de preços ocorridas na verdade no mês anterior, março.

E a taxa de inflação de maio é que será puxada pelos freqüentes reajustes de preços ocorridos em abril (e neste começo de maio). Por que a alta dos índices de inflação deve provocar novos problemas no mercado financeiro?

Ele hoje é palco de "jogadas" de bilhões de reais, no chamado mercado de futuros, onde bancos e aplicadores fazem "apostas" (com ouro, dólar, produtos agrícolas etc.) baseadas nas previsões de inflação. Quando a inflação supera essas previsões, apostados sofrem imensos prejuízos. Essas "jogadas" erradas, na verdade têm sido o verdadeiro motivo de "quebra" de grandes bancos no Brasil.

Desfaçatez

Os negócios bilionários no mercado de futuros dispararam de tal forma no Brasil que a Bolsa de Futuros de São Paulo superou recentemente a própria Bolsa de Chicago.

Valor dos contratos "girando" na bolsa paulista: R$ 300 bilhões. Três vezes o Orçamento efetivo da União. É o tamanho do perigo.

’’Delenda’’ BB - 1

Fracassou a venda de ações aos atuais acionistas do Banco do Brasil. Óbvio. Com pessimismo (falso) que a equipe FHC criou em torno da situação do BB, quem iria comprá-las?

’’Delenda’’ BB - 2

Diretores do banco declaram que a cobrança de dívidas atrasadas, no montante de R$ 18 bilhões, recuperou apenas 20% desse valor até agora.

Alguém está escondendo a verdade. O total de dívidas normais que o BB estava cobrando era de R$ 5,15 bilhões. Se foram recuperados 3,6 bilhões, isso equivale a 70%. Excelente.

Generosidade

O governo gaúcho vai privatizar sua empresa de telecomunicações. O banco encarregado de organizar toda a operação vai cobrar 0,48%. Foi escolhido em licitação. Os bancos que o BNDES contratou para vender ações da Telemig e Telerj receberam 3,5%. Para organizar um leilão. De um dia. Sem licitação.

Bondade

Na mesma linha da equipe FHC/BNDES, o governo mineiro vai leiloar ações da Cemig, centrais elétricas do Estado. Os bancos vão receber 2%. Mais 1%. Ou 3%.

Prioridade

O presidente FHC foi ao Rio Grande do Sul anunciar prioridade para a cultura do trigo, cujos preços dispararam no mercado mundial. No final de abril, o trigo semeado no Paraná já estava germinando. O crédito ainda não tinha começado a sair.



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