Jornal Diário da Manhã , terça-feira 15 de novembro de 1983
NOVA MAXI? – o ressurgimento dos rumores de uma nova “maxidesvalorização” do cruzeiro é o pior desserviço que se poderia prestar à Nação, neste momento. Exatamente quando a inflação declina e o acordo com os credores internacionais criam a oportunidade para uma normalização (relativa) da vida econômica, o temor à máxi terá efeitos desastrosos, podendo inclusive levar à “remarcação” de preços, por parte das empresas, na tentativa de antecipar-se à hipotética queda do cruzeiro. De pouco adiantará o governo desmentir que a iniciativa está sendo cogitada, já que em ocasiões anteriores foi esse o seu procedimento – e a máxi acabou sendo adotada. De qualquer forma, explicações convincentes poderão ao menos minimizar a boataria que vai ganhando corpo.
OS INTERESSADOS – os rumores sobre a máxi foram lançados, certamente, pelos grandes aplicadores (em que se incluem empresas) no mercado negro do dólar e do ouro (cujo preço é calculado com base na cotação do dólar no “black”). Explica-se a jogada: já há três meses, a cotação do dólar no “black” está na casa dos Cr$ 1.200,00, com grandes perdas para os especuladores. Os boatos sobre a maxi seriam uma manobra para forçar a elevação desse preço, de forma rápida, como ocorreu em fevereiro deste ano.
MELHORES AINDA – pesquisa realizada pela Sunab, no Rio, havia indicado uma alta de apenas 1,13% para os preços de 132 alimentos, no varejo, na primeira semana de novembro. Na segunda semana, melhor ainda: queda de 0,13% na média, para os mesmos produtos.
HORA DE AJUDAR – em outubro, porta-vozes da Fundação Getúlio Vargas intensificaram a expectativa inflacionária ao divulgar, logo no final da primeira quinzena do mês, a alta de preços ocorrida no período, e fazendo projeções pessimistas para o resto do mês. Por uma questão de coerência, a FGV deveria agora divulgar os resultados da primeira quinzena do mês de novembro, para uma avaliação do ritmo da inflação, neste momento. Como todos os dados indicam menor ritmo inflacionário, o efeito psicológico em todas as áreas da economia seria altamente benéfico, ajudando a conter preços.