Jornal Diário da Manhã , terça-feira 23 de agosto de 1983
MAXIDESVALORIZAÇÃO DIFÍCIL – os rumores de nova maxidesvalorização do cruzeiro entraram em declínio, podendo provocar maiores recuos do dólar no “negro”. Motivo externo: os meios de pagamento nos EUA subiram apenas US$ 500 milhões de dólares, na semana retrasada, e agora caíram US$ 500 milhões, na semana passada. Com esse resultado, as taxas de juros podem até cair no mercado norte-americano, ou, no mínimo, sofrerem estabilização.
Com isso, o dólar, que vinha subindo no mercado internacional, também entrou em queda. Fica mais remota a possibilidade de desvalorização do cruzeiro – se é que ela existiu algum dia.
O RISCO DO “NEGRO” – para lucrar em aplicações especulativas (como o dólar, o ouro), a regra máxima continua a ser “comprar na baixa, vender na alta”. Poucos aplicadores conseguem obedecê-la, principalmente na alta: temem vender (seus dólares ou seu ouro) e os preços continuarem a subir. Não se contentam com o que ganharam, são gulosos.
Acontece que a queda do mercado pode ser vertiginosa, da noite para o dia: no momento em que o FMI der seu sinal verde para o acordo com o Brasil, as cotações do dólar no negro (e também do ouro, que as acompanham), podem despencar – pois a alta das últimas semanas foi alimentada também pela escassez absoluta de divisas enfrentada pelo País (além dos rumores de “maxi”).
UM POUCO DE OTIMISMO – já se advertiu que, apesar dos céticos, a recuperação da economia norte-americana (crescimento de 9,2% no segundo trimestre) vai ampliar o mercado para as exportações brasileiras. Outro fenômeno ainda mais importante para a balança comercial do Brasil: a reação no consumo mundial de petróleo. Após venderem apenas 14,3 milhões de barris por dia em fevereiro, os países da Opep faturaram 18,5 milhões de barris diários em julho último.
Isto significa que estes países já estão dispondo de mais dólares para retomar seus planos de investimentos – e importar. Os países da Opep – sobretudo Nigéria, Arábia Saudita, Iraque e Argélia vinham representando excelentes mercados para os manufaturados brasileiros. Sua recuperação melhora as perspectivas para a balança comercial – e também para as indústrias brasileiras. Um abrandamento na recessão?