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  Mentiras não resolvem...

Jornal Diário Popular , quarta-feira 14 de junho de 2000


As importações continuam ‘‘torrando’’ os dólares que o Brasil precisa desesperadamente para evitar novas crises do real e suas conseqüências. O governo dizia que as importações iriam cair com a desvalorização do real, no começo do ano passado, porque as mercadorias estrangeiras ficariam mais caras, isto é, com preços mais altos, em reais. Isso, além de provocar recuo no consumo de importados, forçaria as empresas a comprarem matérias-primas, peças e componentes brasileiros mais baratos — vale dizer, contribuiria também para aumentar as encomendas à indústria brasileira, abrindo caminho para a recuperação da economia e, atenção, para a redução do desemprego. Nada disso aconteceu. As importações, este ano, cresceram quase 20% até maio. Por que a previsão do governo não deu certo? Você mesmo pode relembrar algumas dessas causas:

Extinção — Como ficou claro na CPI dos Medicamentos, multinacionais que compraram empresas brasileiras suspenderam a fabricação da maioria de remédios que já eram produzidos aqui dentro. Ou começaram a comprar matérias-primas lá fora, a mando das matrizes, provocando o fechamento de laboratórios que as forneciam (para agravar a ‘‘torra de dólares’’, a CPI descobriu que os preços pagos pelas matérias-primas foram até dez vezes mais altos que o normal, isto é, as filiais deram lucros de 1.000% às matrizes com esse superfaturamento, torrando ainda mais dólares).

Dependência — Multinacionais de outros setores, além da indústria de medicamentos, adotaram a mesma política de suspender a compra de matérias-primas, peças e componentes aqui dentro. Até o fogãozinho Dako, o mais popular do País, passou a ser apenas montado aqui, utilizando 100% de placas de aço e peças importadas.

Falta de apoio — O governo FHC reduziu impostos sobre produtos importados, escancarando o mercado para as multinacionais. Além disso, não criou mecanismos que permitissem à indústria e agricultura brasileiras enfrentarem a concorrência estrangeira. Por exemplo: os produtos estrangeiros — de tecidos a trigo, de máquinas a algodão — passaram a ser vendidos a importadores nacionais para pagamento em até 360 dias, a juros baixíssimos, de apenas 5 a 8% ao ano. Não há condições para o produto nacional concorrer: eles ficam muito mais caros, com os juros de 40% ao ano, para as empresas do País, além dos prazos de pagamento serem muito menores. As importações crescem.

É esse o saldo da política econômica do governo FHC nos últimos quatro anos: explosão das importações, mais desemprego, mais recessão, extinção da produção nacional e falta de dólares. Em lugar de admitir seus erros gigantescos, o presidente Fernando Henrique e seus assessores continuam a inventar mentiras para justificar distorções, como o crescimento das importações neste ano. Mentiras não resolvem problemas. O País afunda cada vez mais no atoleiro.



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